Moscou - Desafiando a pressão realizada pelo Ocidente, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, anunciou ontem que Moscou decidiu reconhecer a independência das regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia.
O chefe do Kremlin informou que assinou os decretos sobre o reconhecimento da independência das duas regiões georgianas e pediu que outros Estados sigam seu exemplo e façam o mesmo. “Eu assinei os decretos sobre o reconhecimento pela Federação Russa da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia”.
A decisão de ontem faz a Rússia ir contra os apelos do Ocidente, que alertou fortemente Moscou a não reconhecer as duas regiões separatistas e a apoiar a integridade territorial da Geórgia.
Anteontem, pouco depois de o Parlamento russo ter votado a favor do reconhecimento das regiões, o presidente dos EUA, George W. Bush, pediu à Rússia para que não reconhecesse a independência das regiões separatistas. “Peço aos líderes russos que cumpram seus compromissos e não reconheçam estas regiões separatistas”, afirmou Bush.
Os 130 parlamentares da Câmara Alta e os 447 que compõem a Duma (a Câmara Baixa do Parlamento) russo, votaram por unanimidade a favor de uma moção que solicita ao presidente, Dmitri Medvedev, o reconhecimento da independência das regiões. Para que isso acontecesse, o Kremlin precisava ratificar a decisão.
Os confrontos entre a Rússia e a Geórgia tiveram início quando a Geórgia, que é aliada dos EUA, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul, região separatista que declarou independência no começo dos anos 90.
Otan
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jaap de Hoop Scheffer, rejeitou ontem o reconhecimento da independência das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia pela Rússia - anunciado ontem pelo presidente Dmitri Medvedev- e questionou o compromisso russo com a paz e segurança no Cáucaso.
Em comunicado, De Hoop Scheffer expressou sua rejeição à decisão e disse que a atitude representa uma violação direta a resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a integridade territorial da Geórgia. “Resoluções que a própria Rússia apoiou”, lembrou o secretário-geral no texto.