Cultura

‘Bagun S.A.’ estréia em Bauru

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 4 min

Respeitável público prepare-se pois vem por aí um surpreendente espetáculo. O tradicional Circo Fiesta preparou um grande evento para os amantes dessa arte. Em “Bagun S.A.”, tradicionais e inusitados números circenses, teatro, dança e música estarão todos reunidos, no mesmo picadeiro.

A estréia nacional da temporada do espetáculo será em Bauru, no mês de outubro. Depois da passagem pela cidade, a trupe fará apresentações nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte e em outros 10 municípios brasileiros, até dezembro do ano que vem.

Por meio da narração de uma emocionante história de amor, “Bagun S.A.” pretende unir os tantos números circenses existentes ao enredo de forma inovadora. Será um hora e meia sob a lona, onde público irá presenciar vôos aéreos, malabarismos, acrobacias, mágica, palhaços e equilibrismo, além de um show musical preparado especialmente para o espetáculo. “É uma proposta vanguardista mesmo. Vamos trazer números de circo diferentes e ousados, além de dar nova cara aos mais tradicionais. E todas as canções e as trilhas instrumentais foram compostas exclusivamente para esse evento”, conta Ricardo Maia, diretor do projeto.

Proprietário da Ricardo Maia Produções Artísticas, o diretor trabalha há 15 anos na área e foi um dos realizadores do “Circo Roda Brasil” e o responsável pela temporada do Circo Imperial da China no País. Sobre a escolha de Bauru como o local de estréia do espetáculo, Maia diz que a proposta é ir contra o movimento das estréias acontecerem sempre nas capitais.

“É uma maneira de reconhecer a importância do Interior. Além disso, fomos muito bem recebidos pelo público de Bauru quando trouxemos o ‘Roda Brasil’”, explica.

Entre o elenco participante da história e dos números estão Carlinhos Moreno (conhecido como garoto-propaganda da Bombril), Willian Amaral (cinco anos protagonista do “Ka” e “Mysétre” no Cirque de Soleil), Paulo César (integrante do espetáculo “Zumanity”, também do Cirque de Soleil), o ucraniano Konstantin Makarkin, entre outros. No total, 15 artistas compõem o espetáculo, selecionados entre os mais de 100 que disputaram as vagas. “É uma equipe de alto nível técnico. E, há dois meses, já começamos os ensaios e os treinamentos intensos”, conta Maia.

O circo, que será montado em um terreno na avenida Nuno de Assis (ao lado do Fórum), terá capacidade para receber 1 mil pessoas. “Toda a estrutura, desde os assentos à recepção do público, será feita para proporcionar o conforto e sofisticação dos grandes circos da Europa e Estados Unidos”, garante o diretor.

Paralelamente ao “Bagun S.A.”, o Circo Fiesta apresenta em Bauru, no mesmo período, o espetáculo “Psicodélico” que, ao contrário do primeiro, irá apresentar uma linguagem que segue a linha tradicional do circo. “Esse vai ser um resgate do circo tradicional, nos trazendo de volta aos circos de nossa infância”, explica.

Enredo

O enredo narrado e, “Bagun S.A.” contará a história do Sr. Bigode, interpretado por Carlos Moreno, dono de um circo decadente. Endividado, o proprietário do Circo Capenga manda alguns de seus artistas embora e, entre eles, está o palhaço que é apaixonado pela trapezista, filha de Bigode.

O palhaço, com a ajuda de outra artista, cria uma empresa fictícia para reerguer o circo e impedir que ele seja fechado - a Bagun S.A. - na verdade, para poder ficar perto de sua amada.

Depois de descoberta toda a farsa, dá-se início ao segundo ato do espetáculo. “Na primeira parte, as acrobacias feitas são mais tradicionais. Já no segundo, as atrações são modernas e criativas”, adianta Ricardo Maia, diretor do projeto.

Nessa parte, o palhaço e os outros despedidos saem às ruas a procura de artistas para montar um novo circo. Enquanto isso, Bigode, já velho, sofre com a falência de seu picadeiro. Sua filha decide, então, levá-lo para conhecer esse novo espetáculo.

“É aí que ocorre a redenção dos personagens e todos se unem novamente. O que ‘Bagun S.A.’ quer mostrar é a necessidade de recriação do próprio circo. Bigode foi à falência porque se prendia a uma linguagem antiga e se negava à renovação”, conclui Maia.

Durante toda a história, intervenções circenses, das mais tradicionais às modernas, vão sendo apresentadas ao público. Outro atrativo de “Bagun S.A.” são os figurinos. Como a história passa-se em 1.900, todo o elenco usará trajes, perucas e maquiagem característicos da época.

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