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Bobos & bobagens


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Os aviadores costumam contar que os pilotos de caça, de aviões a jato, necessitam usar aquele capacete que os fazem parecer astronautas, pois correm o risco de ao realizarem manobras a elevadas altitudes faltar oxigênio no cérebro e, assim, comprometer sua capacidade de raciocínio. Nesta última segunda feira, 1/9/08, no seminário coordenado pela delegacia do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo, SEESP, talvez tenha faltado ao candidato tucano Caio Coube, hoje sentado no patamar mais alto das últimas pesquisas eleitorais, um capacete desses de pilotos de caça. Tomando-se a reportagem do JC como fidedigna do que de mais importante aconteceu nessa primeira sabatina com os candidatos a prefeito, podemos imaginar o que o futuro nos reserva em termos de administração. O “mais preparado dos candidatos”, como insiste sua propaganda, utilizou-se de boa parte dos 40 minutos para criticar o Sambódromo afirmando “ser ridículo o erro conceitual cometido na concepção de engenharia” do mesmo. Quando começou a falar de “ícones negativos” da nossa cidade esperava-se que começasse citando o estado em que se encontram os trens e edifícios da nossa esplanada ferroviária resultantes da privatização realizada pelo governo Fernando Henrique. Esperava-se, como bom administrador que é, falar que junto com a sucata que ali existente desapareceram cerca de 1.400 empregos que, somados aos da privatização da CESP, CPFL e Banespa, ultrapassam a casa dos 4.500 empregos, mais ou menos quatro “tilibras” que perdemos em quatro anos. Não é desconhecido de uma mente oxigenada que os salários desses funcionários, abduzidos pela privatização tucana, privou Bauru de 20 milhões de reais por mês quase um orçamento da prefeitura por ano. Surpreendendo, juntou “ícones negativos” com “bobagens” e aventurou-se a falar do Viaduto sobre o pátio ferroviário e dos Lotes Urbanizados. A superficialidade e desconhecimento de causa com fez as declarações confirma a importância dos capacetes dos pilotos de caça quando nas alturas estão a bombardear alvos sem conhecer a história dos mesmos. O projeto dos Lotes Urbanizados foi um bom projeto que se perdeu nos descaminhos da corrupção do ministério da Margarida Procópio, no governo Collor. No meu governo não foi possível dar continuidade a esse projeto por que a obra estava sob auditoria do Tribunal de Contas da União e sob investigação do ministro/interventor nomeado pelo presidente Itamar Franco para encerrar as atividades daquele ministério, se não teria concluído. Não se sabe até hoje por que o financiamento dos Lotes junto a Caixa Federal entrou no projeto da “federalização” das dívidas, pois se aproximava do final. Talvez a “bobagem” esteja aí e não no projeto em si. Quanto ao Viaduto, alguns criticam por questões políticas e se pudessem deixariam como está pelo resto da vida, outros o fazem por estarem mal informados, mas sabem que essa obra originada no Plano Diretor de 1967/68, envolvendo as avenidas de fundo de vale (Nações e Nuno de Assis), é importantíssima para a ligação leste/oeste e o sistema viário central de Bauru. O financiamento feito foi necessário e se conseguiu por que tínhamos uma situação financeira saudável reconhecida pelo Senado, aprovado na Comissão Econômica e no Plenário, por unanimidade. No Banco Central, com diretoria nomeada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, também foi aprovado. O orçamento de Bauru, entre 1993 e 1996, cresceu 150% em valor real. A concorrência para a obra do Viaduto foi acompanhada pelo Tribunal de Contas do Estado e pelo da União, nada havendo que pudesse tisná-la. Assim, também, foi durante a obra nada que pudesse macular. Se mácula existe nessa obra é a falta de empenho dos que detêm mando na cidade em terminá-la, aí reside a “bobagem”. O financiamento do viaduto contribuiu no “endividamento” da cidade em 7% (sete p/ cento), percentual pouco expressivo para ser responsável pelas “desgraças” de Bauru. Quando se esperava anúncios de verbas que viriam do governo do Estado para resgatar a dívida dos estragos feitos em Bauru com as privatizações o candidato, para não fugir do receituário neoliberalista, propôs vender algum patrimônio do município. A “jóia da Coroa” agora não são mais os lotes da av. Nações Unidas, é a área que envolve o aeroporto, lindeira à av. Getúlio Vargas, que como se sabe tem restrições quanto à construção de edifícios e, portanto, de valor limitado. Faltou oxigênio. O episódio enseja chamar a atenção para as bobagens que são ditas. É bem verdade que cada um tem sua opinião e é preciso respeitá-la, mas, e o Superior Tribunal Eleitoral está fazendo isso pelo rádio e pela televisão, é fundamental que não permitamos que bobagens transformem eleitores desavisados, bem intencionados, em bobos da Corte.

O autor, Tidei de Lima, é engenheiro civil, ex-deputado federal, ex-secretário da Agricultura e ex-prefeito de Bauru

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