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Jovem que ficou tetraplégica com bala perdida em universidade volta a estudar

Folhapress
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Rio - Mais de cinco anos após levar um tiro que a deixou tetraplégica dentro da universidade, a estudante Luciana Gonçalves de Novaes, 25 anos, voltou às salas de aula. Respirando com a ajuda de aparelhos, ela superou diagnósticos médicos de que ficaria para o resto da vida no hospital. Desde o último dia 25 de agosto, é uma das 14 alunas do curso à distância de serviço social da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), que tem aulas presenciais uma vez por semana.

Luciana foi baleada no rosto dentro da universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido (zona norte do Rio), em maio de 2003. O tiro atingiu a coluna cervical da então estudante de enfermagem, que esperava no pátio da universidade para fazer uma prova. O tiro a deixou tetraplégica. A Justiça condenou a universidade a pagar indenização de R$ 600 mil, todo o tratamento e um apartamento adaptado para as necessidades da jovem.

O imóvel, onde ela mora com a família em Jacarepaguá (zona oeste do Rio), tem gerador para garantir energia, já que a estudante respira com auxílio de aparelhos, ladeiras para cadeira de rodas e todos os aparelhos hospitalares necessários para que ela se trate em casa.

Desde a semana passada, no entanto, Luciana deixa todo esse aparato em casa às segundas-feiras em busca de uma das coisas que, segundo ela, mais sentia falta: estudar. O estímulo de Luciana respingou na irmã, a estudante Jorgeana de Novaes, que havia abandonado a faculdade e decidiu matricular-se na mesma instituição.

O ânimo e a vontade de viver são dois dos muitos méritos de Luciana, para a médica Elisabete Rocha, que avalia a estudante semanalmente. Um dos prognósticos que a estudante deixou para trás foi o de que teria que se alimentar através de uma sonda introduzida em seu estômago para o resto da vida. Hoje churrasco e massa são os pratos prediletos do cardápio de Luciana, que é vasto. “Como de tudo. Comecei a me alimentar escondida no hospital e, depois os médicos fizeram um trabalho para eu conseguir ir comendo”, conta.

Luciana respira com auxílio de aparelhos porque a bala atingiu a primeira vértebra cervical, o que, segundo a médica, comprometeu a posição do tronco cerebral, que é a parte do cérebro responsável pela respiração. As expectativas da estudante para o futuro não poderiam deixar de ser otimistas. Além de se formar na faculdade e continuar estudando, quer ir para os EUA para ser submetida a uma operação que lhe permita, aos poucos, deixar de depender de aparelhos para respirar.

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