A página 6 – Roberto Rufino – Destaques – do JC (31/08/08), noticia a condecoração do tenente-coronel José Humberto Nardo, comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM). O noticiário traz também a foto registrando o momento que o homenageado recebia do coronel José Guerra Júnior, comandante do Comando de Policiamento do Interior – 4 (CPI), a medalha Valor Militar no grau ouro pelos 30 anos de bons serviços prestados à comunidade.
Essa condecoração significa a valorização dos componentes da Polícia Militar outorgada em 3 graus – ouro, prata e bronze – respectivamente concedidas aos policiais militares em reconhecimento pelos 30, 20, 10 anos de bons serviços prestados à comunidade.
Qual recompensa maior pode almejar um profissional, militar e civil, do que receber o reconhecimento público dos seus colegas de profissão? É sentir orgulhoso, valorizado, respeitado, reconhecido e agradecido pela condecoração, homenagem recebida.
Esse noticiário da condecoração prestada solenemente ao tenente-coronel José Humberto Nardo, comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM), com a outorga da medalha Valor Militar no grau ouro pelos 30 anos de bons serviços prestados à comunidade, me faz invocar a visita a Bauru do coronel da reserva Hermes Bitencourt da Cruz, presidente da Associação dos oficiais da Reserva da PM, dia 27 de junho passado. O coronel da reserva veio a Bauru para falar como presidente da Associação dos Oficiais da Reserva da PM, sobre a política salarial do governo do Estado de São Paulo.
Segundo a reportagem no JC (28/06/08, pág.14), apresentou contundentes críticas à política salarial do governo, denominando-a de discriminatória. Afirmou que o governo do Estado de São Paulo criou três polícias dentro da Polícia Militar. Ressalta que o governo não criou três forças de combate ao crime. Ao contrário, dividiu a PM em três ao utilizar políticas salariais diferentes para os policiais da Capital, do Interior e para os inativos. “A política salarial do governo divide os policiais da ativa em dois e cria uma terceira categoria que são os policiais da reserva, reformados e pensionistas”, afirmou o coronel. Esclarece que a luta da associação é no sentido de reverter esse quadro de discriminação, que entende inconstitucional. Informa que tenentes-coronéis não se aposentam porque perdem R$ 2 mil no salário.
Sem dúvida alguma, a política salarial que vem sendo adotada para o funcionalismo público, militar e civil, desde o ex-governador Geraldo Alckmin e continuada no atual governo, é discriminatória, preconceituosa no sentido etário, contra idosos. É deseducativa para a formação das novas gerações por desconsiderar o trabalho desempenhado pelo trabalhador quando na ativa. O militar e o civil, quando passam para a reserva ou se aposentam, conquistam o prêmio da missão cumprida. Não recebem favor, conquistaram o direito do descanso merecido. No sentido pedagógico educativo, ensina-se às crianças que, tudo que se usufrui de conquistas, progressos no presente, foi sacrifício, luta das pessoas no passado. Como tratar militar e civil, reformado, aposentado, como pessoas improdutivas, peso morto, ônus para o Orçamento do Estado, discriminando-os?
É preciso acabar de imediato com essa política salarial nefasta, discriminatória de conceder bônus, gratificações para o pessoal da ativa, excluindo os aposentados. É preciso reverter essa desumana mentalidade dos governantes de transformar o prêmio conquistado da aposentadoria, em castigo. Isto é, anular todas as homenagens, condecorações recebidas quando na ativa pelos bons serviços prestados à comunidade, ao ensino das novas gerações, apenas por passar a inatividade. Isto é equiparar o homem a uma máquina. O valor desta está na sua vida útil, após, é objeto de sucata. Isto não é falta de verbas, mas sim crise de alma, de espírito humano.
Roberto Pereira Lima