Regional

Excesso de oferta deixa cana em pé nas lavouras da microrregião de Jaú

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - A safra canavieira na microrregião de Jaú (47 quilômetros de bauru) deve terminar com cerca de 1 milhão de toneladas de cana em pé. O número foi confirmado pelo presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), Antônio Augusto Beluca, e reflete o excesso de oferta de matéria-prima no mercado.

De acordo com Beluca, em 2006, o mercado pagava cerca de R$ 60,00 por tonelada de cana e hoje não passaria dos R$ 36,00 por tonelada. “E o custo de produção está em mais de R$ 50,00 a tonelada. O adubo, do ano passado para cá, dobrou de preço. O diesel subiu muito também em relação à safra passada”, explica o presidente da entidade que reúne cerca de 1.050 plantadores de 12 municípios da região de Jaú.

Beluca acredita que, desde 1998, este é um dos piores momentos enfrentados pelo setor. A safra canavieira na região de Jaú deve terminar com mais de 1 milhão de tonelada de cana em pé em decorrência do alto índice de chuva no primeiro trimestre da colheita e do excesso de oferta de matéria-prima no mercado. “As usinas não vão moer toda a cana que têm. Vai sobrar mais de 1 milhão de tonelada de cana entre fornecedor e usina”, confirma.

Pelos cálculos de Beluca, as usinas da região, incluindo as de Barra Bonita, Bariri, Dois Córregos, Brotas e Jaú, moem em média 70 mil toneladas de cana por dia. “Durante o mês de junho, ficou uns 10 dias chovendo, mais ou menos. Se pegar 10 dias, são 700 mil toneladas de cana que já deixaram de ser cortadas”, estima.

Uma das alternativas para enfrentar a crise, segundo Beluca, é a diversificação de culturas. Pensando nisso, diversas palestras sobre o assunto foram realizadas no mês de agosto em Jaú, voltadas aos produtores. “Eles (produtores) terão que começar partir para uma diversificação de cultura. Dessa forma, eles têm mais opções”, comenta. Culturas como soja, milho, algodão e girassol são vistas com bons olhos pelos plantadores. Elas poderiam ser voltadas para a produção de óleo vegetal.

Restrições

Preocupado com o forte avanço da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo, o governo pretende restringir a instalação de novas usinas e a ampliação das já existentes. O objetivo é impedir que o Estado seja tomado pela monocultura da cana. De acordo com o secretário do Meio Ambiente, Xico Graziano, em declaração ao jornal O Estado de São Paulo na edição do último domingo, hoje os canaviais respondem por 70% dos espaços ocupados por lavouras, excluindo as pastagens.

“O governo pretende não criar no Estado de São Paulo uma monocultura. É um monte de questões que envolvem isso”, comenta o presidente da Associcana, preocupado com a atual situação do setor.

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