Regional

Medo do eleitor faz vereador da Barra até reduzir salários

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Barra Bonita - Uma possível retaliação do eleitor nas urnas motivou parte dos vereadores de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru) a desistir de manter o reajuste de 29% nos salários dos parlamentares, do prefeito e do vice para o quadriênio 2009-2012. Em sessão ordinária, a Câmara Municipal acatou, anteontem, por unanimidade, o veto do Executivo municipal aos projetos de aumento aprovados na segunda-feira e, em segunda votação, na quarta-feira da semena passada.

Os parlamentares ainda aprovaram projetos que reduzem os salários para a próxima legislatura. A partir de janeiro do ano que vem, o parlamentar eleito este ano ganhará R$ 2.800,00 e não R$ 2.807,00. Os subsídios para prefeito e vice também foram reduzidos. O chefe do Executivo receberá R$ 8.500,00 ao invés dos atuais R$ 8.929,25, enquanto que o vice embolsará R$ 4.250,00 e não R$ 4.727,25 pagos até então.

O presidente do Legislativo, o vereador Manoel Fabiano Ferreira Filho (PSDB) resumiu, ontem, o sentimento dos cinco parlamentares que aprovaram o aumento de 29%.

“Sinceramente, a última coisa que eu quero é ser lembrado como vereador que aumentou salário na Barra. A questão é muito maior do que salário e gostaria de ser lembrado como vereador pelo projeto que fiz. Quero que as pessoas não votem por uma questão de salário. Quero que votem por aquilo que fez (o vereador)”, salienta.

Ferreira lembra que possui três mandatos como parlamentar e está na briga pelo quarto. Todos os vereadores da atual legislatura querem a reeleição em 5 de outubro e brigam com outros 137 candidatos por apenas nove cadeiras no Legislativo de Barra Bonita.

Diante da pressão, o projeto político pessoal falou muito mais alto do que a posição política de manter um aumento repudiado pelo eleitorado. “Você não dá discurso para as pessoas politiqueiras e atende à população”, justifica Ferreira.

Mobilização

O ano eleitoral foi fundamental para que os parlamentares revissem o risco eleitoral de manter o reajuste. Porém foi importante a manifestação de vários setores contra o aumento.

Ricardo Recchia, coordenador de projetos do Movimento Barra Bonita 2008, avalia que a participação popular foi importante. Porém, alerta para que a população passe efetivamente a fiscalizar o que o político faz no dia-a-dia. “A mobilização não se deve limitar a questões salariais e polêmicas. Por que foi importante e foi pressão popular. Mas porque só em questão salarial e em época eleitoral?”, questiona.

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