Campinas - Um analista de sistemas de 42 anos e sua mulher, uma assistente administrativa de 34, denunciaram dois policiais militares que os teriam ofendido, perseguido até dentro de seu condomínio e apontado armas para eles por causa de algumas buzinadas no trânsito, anteontem na cidade de Campinas, a 95 quilômetros de São Paulo.
Os PMs disseram à Polícia Civil que perseguiram o casal porque a mulher gesticulava muito dentro do Uno onde estava com o marido. Afirmaram também ter suspeitado do fato de o veículo ter saído em disparada depois de buzinar. A corporação deve investigar o caso.
O suposto desentendimento começou na rodovia Santos Dumont, em Campinas, às 12h25 de anteontem, quando dois policiais do serviço reservado da PM - que andam sem fardas em carros sem identificação para investigar colegas da corporação- pararam para verificar uma batida no trânsito.
De acordo com a polícia, o analista de sistemas Pedro (nome fictício) voltava do supermercado com a mulher e buzinou para o Palio dos PMs, que estaria estacionado em um local que prejudicava o tráfego.
Segundo Pedro, ao passar ao lado do Palio, os dois policiais, em vez de se identificar, gritaram palavrões para o casal. Em seguida, segundo ele, os policiais os perseguiram por 800 metros, até entrarem sem autorização no condomínio, no Jardim das Bandeiras.
Lá dentro, segundo Pedro, o PM que estava no banco do carona desceu e apontou uma pistola para ele. “Havia crianças no local. O motorista do Palio disse para o amigo: “Não atira, guarda isso aí que está vindo gente’. Eles não agiram como policiais, mas como bandidos.”
O analista bateu no Palio e no carro de um vizinho ao escapar. Ele disse que só dentro do condomínio os PMs se identificaram. Policiais militares fardados chegaram ao local e levaram todos à delegacia. Nada ilegal foi encontrado com o casal.
Os PMs disseram em depoimento que se identificaram logo no primeiro contato e que o casal buzinou com insistência. Afirmaram ainda que o casal jogou o Uno contra o Palio.
O capitão da Polícia Militar Marcy Elber disse ontem que um processo administrativo foi aberto para investigar a conduta dos dois policiais.