Que fruta você comeu na última semana? Se demorou para lembrar, talvez você esteja trocando um gostosa laranja, um morango ou uma bela maçã por doces e chocolates. Nada contra quem não consegue deixá-los de lado, mas eles podem ameaçar sua saúde, aumentar seu peso, diminuir seu equilíbrio nutricional e, pior, fazer com que você deixe de lado alguns dos melhores sabores que começam a chegar a partir de agora à mesa.
Como a cada ano que passa, as quitandas, comércio especializado em oferecer frutas, verduras e legumes, estão cada vez mais escassas, o jeito é o bauruense procurar esses produtos nas seções de ‘hortifrutti’ de qualquer supermercado da cidade. Da chegada da primavera até o fim do verão, a dica dos nutricionistas é abusar das frutas diariamente.
Se, por uma lado, Bauru nem de longe é considerada uma cidade pólo na produção de frutas, por outro a cidade conta com uma Central de Abastecimento de Bauru (Ceasa) bem no quintal de casa, além de associação que reúne os produtores de frutas da cidade e região.
É a Ceasa de Bauru que abastece todo o mercado interno e todas as cidades da região num raio de 100 quilômetros. De acordo com Augusto Remolí Filho, fiscal da Ceasa em Bauru, cerca de 30% do movimento da central é garantido pelo comércio de frutas. “Só no mês de agosto, passaram por aqui cerca de 2,5 milhões de quilos das mais variadas frutas e vindas dos mais diversos lugares”, conta.
Bauru produz em grande escala, ou seja, tem uma produção de frutas voltada para o comércio varejista, como o maracujá, abacaxi, abacate e o avocado, o último uma variação do abacate, fruta ainda pouco conhecida e consumida no Brasil e que tem 90% da sua produção exportada para países da Europa.
Em Bauru também é possível encontrar pequenos produtores de caqui, uva niágara, manga e melancia. De acordo com Miguel Ponce, que trabalha com o fornecimento de frutas no Ceasa, o mercado das frutas em Bauru vem se aquecendo de uns tempos para cá. “A gente já produziu bem menos, agora muitos produtores rurais estão voltando seus olhos para a produção frutífera”, explica.
De fato, Bauru possui solo, clima e relevo que facilitam a produção de frutas em seu território, principalmente aquelas adaptadas a altas temperaturas. A informação é do engenheiro agrônomo Sérgio Mitsuo Ishicawa, ex-diretor de agricultura da Secretaria Municipal de Agricultura de Bauru e atual assistente agropecuário da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) São Paulo.
De acordo com ele, além do maracujá, abacate, avocado, abacaxi e outras frutas que são produzidas em grande ou pequena quantidade, a cidade tem potencial para ampliar sua diversidade.
“Podemos investir mais na uva niágara, cuja produção começa a crescer, e volta a investir na manga. Já produzimos muito mais do que hoje e diversas variedades dessa fruta e, por fim, podemos investir na goiaba, fruta saborosa, de fácil aceitação e ideal para o nosso tipo de solo e clima”, explica o agrônomo.
De olho no mercado de frutas, uma parceria entre a Secretaria Municipal de Agricultura (Sagra), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), iniciativa privada e a Associação de Fruticultores de Bauru e Região (Bauru Frutas), mantém no Distrito de Tibiriçá um Centro de Desenvolvimento Rural com um campo demonstrativo de frutas irrigadas.
Ishicawa conta que ali já é possível demonstrar aos interessados que, com a técnica da irrigação, Bauru pode perfeitamente produzir outros tipos de frutas, como o mamão formosa, o pêssego típico da regiões mais frias do País, além de cinco tipos de maracujá e abacaxi o ano inteiro. “O manejo adequado, a adubação para manter a fertilidade do solo e a escolha certa de uma espécie que se adapte bem ao local podem render ao produtor bons frutos”, orienta.
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Variedade de sabores
Com as tecnologias de irrigação e indução hormonal nem é preciso esperar a ‘época de colheita’ de uma fruta para poder saboreá-la. Mas a partir de agora, com a chegada da primavera, uma variedade maior de frutas começa a chegar ao mercado. É que estamos no início da colheita da melancia e do abacaxi em Bauru e nas regiões mais frias o morango ainda está sendo colhido. As frutas cítricas, como mexerica, limão e laranja, também estão em plena safra.
Outras frutas, como o pêssego, a manga, a uva niágara e a goiaba, deverão começar a ser colhidas em, no máximo, 30 dias, explica o engenheiro agrônomo Sérgio Mitsuo Ishicawa, ex-diretor de agricultura da Secretaria Municipal de Agricultura de Bauru e atual assistente agropecuário da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) São Paulo.
Graças ao tamanho do território brasileiro e da diversidade de clima de uma região para outra, o mercado frutífero brasileiro está sendo abastecido com uma grande variedade de frutas. Enquanto na região Sudeste se produz um tipo de fruta, no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul do País a colheita relaciona-se a variedades diferentes.
De acordo com Marcos Silveira, representantes dos permissionários (dono dos boxes) na Central de Abastecimento de Bauru (Ceasa), a logística implantada pelos fornecedores de frutas contribui muita para que não falte nenhum tipo de fruta na mesa do bauruense em qualquer mês do ano.
“Hoje, os fornecedores vão buscar as frutas onde elas estão sendo colhidas, em qualquer região do País. E se não for a época, as frutas produzidas em estufas, irrigadas e com indução hormonal abastecem o mercado”, explica Silveira.