Uma denúncia do Mirassol contra o Noroeste ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Federação Paulista de Futebol (FPF) ameaça a classificação da “Maquininha Vermelha” à segunda fase da Copa Paulista, conquistada antecipadamente, no último domingo, com a vitória diante do Osvaldo Cruz. Alegando escalações irregulares de jogadores, o Mirassol quer anular o resultado da partida realizada no dia 7 deste mês, em Mirassol, e vencida pelo Alvirrubro por 2 a 1, além de solicitar a perda de seis pontos e multa para o Noroeste.
Se a denúncia for acatada pela Procuradoria do TJD, a classificação do Noroeste à próxima fase ficaria um pouco mais complicada. Hoje, o Alvirrubro é o terceiro colocado do grupo 1 com 23 pontos, mas, sem contar os jogos do próximo final de semana e caso seja punido, cairia para o quarto lugar, com 17 pontos, um a menos do que o Mirassol, atual quarto colocado com 18 pontos. Mesmo assim, o Norusca continuaria dependo apenas de suas forças para avançar à segunda fase da competição - apenas os quatro melhores de cada grupo se classificam. Ainda faltam dois jogos para o encerramento da fase classificatória.
A diretoria do Mirassol sustenta que a equipe bauruense entrou em campo de forma irregular no duelo entre as equipes. De acordo com a denúncia, seis atletas noroestinos relacionados para aquela partida não poderiam constar na lista para o confronto em Mirassol, já que teriam atuado, na véspera, em jogo válido pela Série C do Campeonato Brasileiro contra o Ituano, em Itu. No entanto, a reclamação do Mirassol é embasada, principalmente, sobre a escalação dos atletas noroestinos Renatinho e Borebi, que fez um dos gols da vitória alvirrubra.
Edson Antônio Ermenegildo, presidente do Mirassol, argumenta que a denúncia é baseada no Regulamento Geral das Competições da FPF e da CBF, que, aponta o dirigente, regeriam todas as disputas do calendário nacional, independentemente da realização dos certames através das federações estaduais, no caso a Paulista, ou pela própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Segundo Ermenegildo, os atletas não poderiam estar em campo porque o regulamento não permitiria a utilização de jogadores com intervalo inferior a 44h entre partidas realizadas numa distância mínima de 150 quilômetros. Em campos separados por quilometragem maior, frisa o presidente do Mirassol, esse intervalo teria de respeitar o tempo mínimo de 66h. A distância estimada entre Mirassol e Itu é de cerca de 400 quilômetros. “As determinações estão no regulamento geral da CBF e Federação Paulista. O regulamento da Copa Paulista já fala que (o clube) tem de obedecer o regulamento geral das competições”, argumenta. “O Noroeste utilizou contra nós, no domingo, seis atletas que seriam utilizados também contra o Ituano, no sábado. Dois jogaram”, detalha Ermenegildo.
Em caso de desrespeito a essas normas, atribui o dirigente, o time punido perderia o dobro de pontos obtidos no jogo, além do pagamento de multa, conforme prevê o artigo 214 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), item citado na denúncia mirassolense.
Apesar de levantada pela diretoria do Mirassol há cerca de duas semanas, a denúncia ainda não foi julgada pela Procuradoria do Tribunal da FPF, informação repassada à reportagem do JC pela assessoria de imprensa da entidade.“Só faltam duas rodadas para terminar essa fase e isso tem de ser definido antes da segunda etapa”, considera.
A reportagem do JC consultou os regulamentos das competições na CBF e na FPF e não encontrou menções a prazos entre jogos ou distâncias entre as praças esportivas.
‘Chumbo trocado’
Ano passado, pela mesma competição, o Noroeste foi beneficiado por uma punição imposta ao Mirassol, que perdeu seis pontos por ter escalado irregularmente o atacante Weslei, contra o Norusca, em jogo empatado em 1 a 1. O jogador havia sido escalado com o registro de atleta amador, infringindo o artigo 16 do Código de Justiça Desportiva, o que resultou na condenação da equipe que, agora, tenta punir o time de Bauru no Tribunal.