Um tragédia ocorreu ontem pela manhã na Vila Cardia, em Bauru. Marcos Batista Couto, 43 anos, caído no chão da varanda, baleado na cabeça, e Marilucia Mauad, 41 anos, sua ex-mulher, também ferida à bala na cabeça e abdome no chão da cozinha da casa em que ela morava com o filho do casal de 7 anos. Esta foi a cena descrita pelos primeiros policiais militares que chegaram ao local, acionados por vizinhos que ouviram disparos e gritos da criança pedindo para o pai parar. A arma do crime, um revólver, estava jogada na rua, em frente à casa. Teria sido o menino que, ao ver a mãe e o pai ensangüentados no chão, pegou o revólver calibre 38 e o arremessou.
A Polícia Militar foi chamada, primeiramente, para atender uma briga de casal na quadra 1 da rua Capitão Eduardo Coutinho. Ao chegarem no endereço, os policiais encontram os dois baleados. Segundo a PM, vizinhos informaram que ouviram o filho do casal gritar: “Pai, não faz isso, você vai matar a mãe”. Logo em seguida, ouviram três estampidos. O menino ainda teria sido visto atirando a arma para fora da casa e, em seguida, pedido ajuda a um vizinho.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado. Ao chegar no local, a equipe verificou que Marcos, que era vigilante, já estava morto, mas a assistente social Marilucia ainda apresentava sinais de vida. Ela foi socorrida, mas morreu às 8h40.
Durante revista na residência, os peritos do Instituto de Criminalísticas (IC) encontraram uma carta numa bolsa que pertencia a Marcos. Intitulada “Crônicas da vida e da morte”, na carta, ele faz referência a bens que deveriam ser partilhados e a um seguro que teria direito e que deveria ser gasto com o filho e a enteada de 22 anos. Filha do primeiro casamento de Marilucia, ela não estava na residência no momento dos crimes.
Na carta assinada como “Papai”, Marcos conta que estava cansado e diz que foi humilhado, sem apontar detalhes. No final, diz amar a todos, mas deixa uma frase que dá indícios de que planejava o crime. “Quem ler isso pode não acreditar, mas acho que vamos partir. Mas se for, foi porque amei demais e não recebi a mesma atenção”, escreveu.
O delegado Ricardo Silva Dias, que registrou a ocorrência no Plantão Policial, explica que a cena indica que Marcos baleou Marilucia e que ele se matou em seguida. “A carta deixada por ele sugere a predisposição de praticar algum ato fora do comum. Ela tinha o tom de despedida”, diz o delegado.
Dias acredita que o filho do casal pode ter visto a tragédia. “A informação que tivemos, é que ele teria presenciado”, conta. Na casa, foram recolhidos os cartuchos, a arma municiada com cinco cartuchos, três deles disparados e material residuográfico.
A arma utilizada por Marcos pertencia à empresa de segurança em que ele trabalhava. Um representante da firma foi ao Plantão Policial e afirmou que o revólver estava irregularmente com o vigilante. Ele deveria ter devolvido a arma depois do seu turno, encerrado na noite anterior.