Vereadores que não estão participando do processo eleitoral em Bauru criticaram a enxurrada de propostas apresentadas por candidatos ao Executivo e ao Legislativo no município sem que possam ser concretizadas. Segundo eles, a dificuldade na realização dos temas levantados é o ponto negativo da campanha eleitoral em curso na cidade.
Primo Mangialardo (PV), Futaro Sato (PMDB) e Antonio Carlos Garmes (PTB), que não concorrem à reeleição, disseram ontem ao JC que muitas das promessas ficarão apenas no discurso. “Há um festival de promessas em que as coisas boas não são faladas e os problemas não têm solução”, disse Primo. “A maioria dos candidatos a vereador é despreparada e não sabe o papel do legislador. No Executivo se fala de muita coisa, mas os candidatos não mencionam de onde sairá o dinheiro”.
Durante a sessão, o parlamentar do PV veiculou imagens na TV Câmara para ilustrar que muitas promessas foram feitas quatro anos atrás, mas os problemas continuam sem solução. Buracos, ruas sem asfalto e mato alto foam exibidos ao som da música “Comunidade carente”, de Zeca Pagodinho, numa crítica ao abandono de áreas da periferia.
Na opinião de Sato, a maioria dos candidatos está prometendo coisas que não conseguirá fazer. “Acompanho a atual administração de perto e o orçamento para o ano que vem. Não há como realizar tudo o que estão dizendo, a não ser que venham muitos recursos da União e do Estado, o que não acredito que aconteça”, comentou. “Já na campanha para vereador, há pessoas falando além da conta”.
Garmes também engrossou as críticas aos postulantes a cargos públicos. “Estou vendo muita promessa tanto de candidatos a prefeito quanto de vereador”, disse ele. “Há concorrentes ao legislativo que se fossem eleitos deputado federal talvez – repito, talvez – conseguiriam realizar algumas de suas promessas”, ironizou.
A questão da campanha dividiu os três vereadores. Primo destacou a ausência de questionamentos entre os candidatos. “Temos concorrentes que já passaram pela prefeitura e governaram parte de seu mandato de dentro da cadeia e ninguém toca no assunto”, exemplificou.
Garmes e Sato elogiaram o rigor da legislação. O petebista lembrou que a Câmara de Bauru aprovou neste ano lei proibindo a pintura em muros na época eleitoral. Na opinião dele, este é o pleito mais sossegado da história de Bauru.
Sato destacou as restrições impostas pela Justiça Eleitoral para evitar abusos e gastos exagerados.