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IPMet vai monitorar queimadas na região

Por Da Redação | Com Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru vai receber verba da Petrobras para integrar um projeto de monitoramento dos impactos da queimada na qualidade do ar e no clima. Os principais objetivos são descobrir quais elementos compõem os gases resultantes da queima da palha da cana-de-açúcar, de fábricas de cerâmicas e refinarias de petróleo e como ocorre a dispersão dessa poluição.

Para isso, o monitoramento será feito na região de Bauru, Cubatão, São José dos Campos e Campinas. “Vamos tentar descobrir se as emissões de queimada do Centro-Oeste do Estado têm impacto na cidade de São Paulo. Ou seja, se a poluição do Interior chega à Capital, a chamada “exportação” da poluição”, explica o pesquisador Gerhard Held, que coordena o projeto pelo IPMet. A questão é saber se, a exemplo da poluição dos veículos da Capital, que chega ao Interior, os gases de queimadas do Interior atingem a Capital.

Dentro deste projeto, os radares meteorológicos do IPMet serão empregados para complementar o monitoramento das queimadas durante o inverno e dias sem chuva. Além de maior precisão nos estudos dos impactos ambientais, os dados coletados irão contribuir com as ações de fiscalização e controle da qualidade do ar. A previsão é que os trabalhos comecem no início de 2009.

A Petrobras vai liberar cerca de R$ 2 milhões para cinco instituições que vão integrar a pesquisa, dinheiro que será usado para a implantação da infra-estrutura que servirá de base para a coleta de dados a serem gerados pelos vários experimentos científicos. O IPMet receberá R$ 206 mil do total, que serão empregados na aquisição de equipamentos e na reforma da portaria do prédio do instituto de pesquisa, explica Held.

O IPMet vai adquirir para instalar em Bauru um sistema Sodar, que será utilizado para coletar dados sobre as três componentes do vento ambiente: velocidade, direção e velocidade vertical, fornecendo perfis até uma altura de aproximadamente 800 metros. Ainda dentro deste projeto, o IPMet vai atualizar o seu já obsoleto sistema Digigora, utilizado em experimentos científicos para a obtenção dos perfis verticais de pressão, temperatura, umidade e vento da atmosfera.

Para as medições da dispersão dos poluentes será adquirido um sistema transportável para sensoriamento remoto da atmosfera com laser (Lidar), que fornecerá o perfil de aerossóis e vapor d´água nos locais próximos e distantes dos focos de queima de biomassa, combustíveis fósseis ou de outras fontes emissoras. O Lidar será operado no IPMet durante períodos específicos e será alojado em instalações especialmente adaptadas para abrigá-lo. Será criado, também, um laboratório móvel para monitoramento de gases e partículas na atmosfera, o que permitirá o desenvolvimento de pesquisas nas áreas de qualidade do ar, aerossóis atmosféricos, chuva ácida e contaminação ambiental.

O IPMet é uma das instituições parceiras no projeto graças à larga experiência na área de meteorologia, além de sua localização na área central do Estado, região onde se encontram várias usinas de açúcar e álcool e indústrias. São empresas que já utilizam informações geradas por seus radares meteorológicos em suas atividades de planejamento e operacionais.

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