Bairros

Bauru tem fábrica de tijolo ecológico

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Geralmente produtos considerados ecologicamente corretos representam um gasto maior no orçamento. Mas uma empresa de Bauru começou a produzir tijolos que, além de não representarem grande impacto ambiental, ainda prometem economia no cômputo final. Feitos com cimento, terra e água, os tijolos não precisam ser “queimados”, o que poupa a vida de dezenas de árvores por construção. Além disso, por serem resistentes e com formas de auto-encaixe, permitem uma economia considerável com cimento, ferro, madeira e mão-de-obra.

O empresário Marcos Valério Carvalho conta que procurava um material diferente e que estivesse em sintonia com o estilo rústico das casas que constrói. Ele já trabalhava com tijolos laminados, mas enfrentava problemas com a falta do produto. Foi quando conheceu o tijolo ecológico de solo-cimento.

Ele construiu dois imóveis com o material e, pelo bom resultado obtido, resolveu investir no produto. Assim, há dois meses passou a produzir tijolos ecológicos em uma fábrica no Jardim Solange. O processo é simples (veja ao lado) e, dependendo da cor do tijolo, a produção chega a 2,5 mil unidades ao dia. Além de tijolos e meios-tijolos, a empresa também fabrica canaletas para as edificações. As cores finais dependem do tipo de terra utilizada. Os tons obtidos são vermelho, cinza, bege. Tem até tijolo esverdeado.

Carvalho explica que não é qualquer terra que pode ser empregada na fabricação dos produtos. “Antes é feito um ensaio, que garante se a terra tem qualidade e se é propícia”, explica. Essa terra é peneirada e depois misturada com água e cimento em uma betoneira. A mistura é despejada em uma prensa elétrica, que dá o formato final do tijolo. Para obter canaletas e os meios-tijolos, basta trocar a forma da prensa.

Aí vem a parte ecológica do processo. Para obter a rigidez e a durabilidade final, os tijolos comuns, de cerâmica, são mandados para um forno a lenha. Além da fumaça, árvores são cortadas para abastecer o forno. Dependendo das condições do forno e da madeira, dezenas de árvores podem ser cortadas para se construir uma casa.

Já o tijolo-cimento não vai para o forno. Assim que sai da prensa é enfileirado e fica “descansando” por sete dias. Nesse período, em que precisa ser umidificado com freqüência, adquire 90% de sua rigidez final. O restante vem nos 30 dias seguintes. Mas a vantagem é que em uma semana já pode ser transportado e usado no canteiro de obras, garante Carvalho.

Economia

Apesar de causar um impacto ambiental menor, o tijolo solo-cimento é mais caro. Enquanto o milheiro do tijolo baiano sai em média por R$ 350,00, o ecológico custa a partir de R$ 480,00. Além disso, a quantidade empregada de tijolo solo-cimento para uma construção é maior que a de tijolo baiano para o mesmo espaço.

Em compensação, como são auto-encaixantes, exigem menos massa para serem assentados. “Na verdade, é uma camada bem fina, somente para a acomodação do tijolo”, explica Carvalho. Ele ressalta que a cada 1 metro de parede de tijolo erguida, se assenta uma fileira de canaletas e é feita a concretagem.

Os ferros são passados pelos buracos, que ficam alinhados na vertical, e outros dois são colocados na horizontal pelas canaletas. Então, é despejado o concreto.

No final, para se erguer as paredes de uma casa de 70 metros quadrados com tijolos ecológicos, Carvalho calcula que são gastos no máximo cinco sacos de cimento. Isso porque, além de não utilizar muito material para assentar os tijolos, as paredes não precisam ser rebocadas ou chapiscadas. O formato do material também traz outros benefícios. “As canaletas e os buracos em cada tijolo, além de facilitar a passagem das instalações elétricas e hidráulicas, também contribuem para os isolamentos térmicos e acústicos”, destaca o comerciante.

Proprietário de uma loja de materiais de construção, Marcos Cunha Vasconcelos, que também é construtor, revela que está começando a segunda casa usando tijolo ecológico. Rústicos, os imóveis são construídos no estilo tijolos à vista. Depois de assentados, os blocos são frisados e recebem aplicação de resina.

Ele admite que precisou comprar mais tijolos do que se fosse usar o bloco convencional, queimado em forno. “Para uma casa que gastaria uns oito mil tijolos baianos, vai uns 15 mil do ecológico”, avalia. Mas ele diz acredita que a opção foi positiva. “Acaba economizando tempo e mão-de-obra. Ainda não fechei o valor, mas acho que a economia final foi de uns 40%”, calcula. Informações sobre o tijolo de solo-cimento podem ser obtidas pelo telefone (14) 3016-2993.

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