Economia & Negócios

Desemprego exige ajuste de prioridades

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Ficar desempregado não é fácil: basta perder o emprego e as preocupações com as finanças começam a ficar maiores. Afinal, até conseguir outro trabalho, é preciso se organizar financeiramente, ou seja, cortar gastos e manter o orçamento da família sob controle. Especialistas dizem que, quem mantém reservas para emergências, recebe o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ou indenizações previstas por lei, consegue suportar por mais tempo.

No entanto, há outras providências que devem ser tomadas para não entrar no vermelho de vez e transformar contas em dívidas impossíveis de serem pagas. De acordo com o consultor financeiro da IGF, Alexandre Lignos, há alguns gastos que podem ser cortados de imediato quando a pessoa perde o emprego, sobretudo se ela não tem uma reserva razoável de finanças.

Um dos primeiros cortes que devem ser feitos no orçamento, além dos supérfluos, é com o carro. Se a pessoa tem o (mau) hábito de ir de carro até a padaria da esquina, é bom repensar esse tipo de atitude. Segundo Lignus, tem que começar a evitar usar carro sempre que possível. “A pessoa tem que entender que não sabe quanto tempo vai ficar desempregada. Então, o primeiro passo é se conscientizar que seu nível de vida baixou, pelo menos temporariamente, e deixar o orgulho de lado”, frisa.

Outra opção é trocar o atual veículo por um mais simples, cujo consumo seja menor. Mas neste caso, só se o carro for imprescindível e, ainda assim, evitando utilizar o automóvel para pequenas tarefas do dia-a-dia. “Mas isso é mais para frente, inicialmente o ideal é deixar de usar o carro”, destaca o consultor.

Outro gasto que pode se transformar em bola de neve se não for bem administrado é o telefone celular. Se o plano da operadora for muito alto, o primeiro passo é mudar, optando por um mais barato. Até porque, na fase de desemprego não se pode deixar de ter um celular, pois ele serve para os contatos com empresas, mas é preciso diminuir ao máximo.

Outro erro comum no caso de quem perde o emprego é a ilusão de que aquele dinheiro da indenização não vai acabar nunca. Ao ficarem desempregadas, algumas pessoas acreditam que poderão fazer tudo que não conseguiam quando estavam trabalhando, como por exemplo reformar a casa. Às vezes o imóvel carece de pequenos consertos, pinturas, o proprietário quer construir mais um quarto ou cobrir a área de serviço.

De acordo com Lignos, a reforma da casa é um dos maiores pecados para quem deixou de trabalhar. A ilusão de que a verba “extra” vai cobrir os gastos pode deixar o desempregado no vermelho muito mais rápido. “É mais comum do que se pensa. Então, esquece esse negócio de pequenas reformas. As pessoas costumam pensar que estar desempregado significa ter tempo livre, então dá para fazer alguma coisa na casa. Não. Concentre-se em enviar currículos rapidamente, retomar contatos, etc”, destacou.

Apesar do desemprego exigir cortes nos gastos, algumas despesas são necessárias. Além das contas, a pessoa deve procurar investir na carreira, seja com cursos ou com as agências de recursos humanos, para conseguir a recolocação no mercado o mais rápido possível. O importante, de acordo com o consultor financeiro Alexandre Lignos, é não confundir o desemprego com férias e se acomodar, para depois procurar novo emprego.

Com relação às contas a pagar é preciso elencar as prioridades, saber o que pode e o que não pode atrasar para não transformar uma dívida em bola de neve. O que não se pode deixar de pagar é saúde e educação, pois pode haver conseqüências depois. No caso do plano de saúde, normalmente os planos empresariais ainda cobrem até certo ponto depois que a pessoa é demitda. No caso de gravidez ou doença na família, este é um gasto que deve ser prioritário, nem que seja um plano básico.

A educação dos filhos, por exemplo, é fundamental. Ou seja, se houver uma reserva de finanças, o ideal é preservá-la para que não se mude a rotina na educação das crianças. Segundo Lignos, só se deve pensar em trocar de escola para uma mais barata ou mesmo pública em último caso.

Por outro lado, o consultor alerta para que não se entre no cheque especial nem deixe de pagar o cartão de crédito, pois os juros são muito altos.

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