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Aprovação de pacote nos EUA não impede Bovespa de fechar em queda

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O fim da “novela” do pacote anticrise nos EUA levou pouco alívio para os mercados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a fechar com forte queda, enquanto o dólar atingiu seu preço mais alto em 13 meses. E no epicentro da crise, a Bolsa de Nova York perdeu 1,50%, em meio ao pessimismo generalizado dos investidores sobre a economia americana.

O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, amargou retração de 3,53% e desceu para os 44.517 pontos, o nível mais baixo desde 28 de março de 2007. O giro financeiro continua reduzido: R$ 5,03 bilhões, abaixo da média diária do mês passado (R$ 5,3 bilhões), que já registrou o volume mais estreito de negócios na comparação com outros meses.

O dólar comercial foi cotado a R$ 2,046 na venda, o que representa um salto de 1,13% sobre a cotação de anteontem. Trata-se do maior preço para a moeda americana desde 16 de agosto de 2007. A taxa de risco-país marca 356 pontos, um aumento de 4% sobre a pontuação anterior.

Mantega nega problemas

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que a oferta de crédito é o principal problema gerado pelo agravamento da crise financeira dos Estados Unidos. Ele garantiu, no entanto, que o governo tomará todas as medidas necessárias para que a economia brasileira continue crescendo.

“Temos procurado aumentar o crédito e temos medidas ainda para serem tomadas. O BC (Banco Central) tem feito leilões em dólares. Vamos tomar todas as medidas para garantir que a economia continue crescendo, estimulando o mercado interno e a oferta de crédito”, disse Mantega a um grupo de empresários na sede da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em São Paulo.

Mantega negou que os bancos brasileiros passem por dificuldades. Anteontem, o BC divulgou a flexibilização dos depósitos compulsórios dos bancos, que pode injetar mais R$ 23,5 bilhões no mercado. A medida permite que as instituições financeiras façam o abatimento de até 40% do recolhimento compulsório incidente sobre depósitos a prazo, como CDBs.

“Quero deixar claro que não há problemas de solvência mas de liquidez nessa fase crítica. Se você recompuser a liquidez, tudo bem. Porque não há ativos podres. Mesmo instituições médias e pequenas, que neste momento tem mais dificuldades, têm boas carteiras”.

Mantega destacou a importância de o Brasil enfrentar a crise financeira dos EUA com reservas de R$ 200 bilhões. Ele afirmou, no entanto, que “há maneiras criativas de mexer nas reservas” para dar maior liquidez ao mercado.

“Há maneiras criativas de mexer nas reservas, como os leilões de compromissados do BC, em que o dólar é devolvido em 30 dias e mantém o fluxo de reservas. Há outras maneiras semelhantes a essa que podem ser feitas de moda a manter as reservas em um patamar e dar maior liquidez as linhas de crédito internacional, que é onde está o problema.”

Segundo Mantega, a crise financeira não deve ter uma solução imediata, mas que o momento de estresse é passageiro. Para ele, a aprovação do pacote de salvamento dos bancos americanos na Câmara vai trazer alívio.

“O estresse, essa situação aguda é passageira. Devemos sair (dela) tão logo seja aprovado o pacote. A União européia também precisa de um pacote e estão preocupados.”

Sobre a desvalorização do real frente ao dólar, Mantega afirmou que dificilmente voltará aos patamares “do passado”.

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