Nova York - Um ataque com míssil dos Estados Unidos matou pelo menos 20 pessoas numa aldeia no noroeste do Paquistão, entre elas três crianças e supostos militantes da Al-Qaeda e também do Taleban.
O ataque, desfechado por uma aeronave não-tripulada na madrugada de ontem, próximo à fronteira com o Afeganistão, foi o mais recente de uma série que vem criando tensão entre Washington e o governo paquistanês.
A aldeia atingida, na Província paquistanesa do Waziristão do Norte, seria uma base de Jalaluddin Haqqani, veterano comandante do Taleban. O grupo fundamentalista, acusado de dar abrigo a Ossama Bin Laden, foi afastado do poder no Afeganistão pela invasão americana de 2001. Mas se reagrupou e vem desfechando operações sangrentas contra os 50 mil soldados da Otan, a aliança militar ocidental, que ocupam o país desde então.
O governo do Paquistão tem sido acusado por Washington de leniência com o Taleban e seus aliados árabes da Al-Qaeda, mas reportagem publicada ontem pelo “New York Times” mostra que as forças militares paquistanesas estão em guerra com esses grupos nas regiões tribais próximas à fronteira com o Afeganistão.
Segundo o jornal, estimadas 250 mil pessoas já fugiram dos bombardeios e disparos de artilharia lançados pelo Exército paquistanês e também dos ataques, da intimidação e da justiça sumária de integrantes do Taleban nessas áreas tribais.
Cerca de 20 mil pessoas buscaram refúgio no Afeganistão. Outras estão aglomeradas em volta da cidade de Bajour, noroeste do Paquistão, onde funcionários do Acnur, a agência da ONU para refugiados, estão presentes em quase uma dúzia de campos.
Em nenhum momento desde que o Paquistão formou uma aliança com os EUA, após o 11 de Setembro, o Exército paquistanês tinha combatido o Taleban em escala tão grande, diz o “New York Times”.
O engajamento do Exército paquistanês se dá após meses durante os quais os EUA reiteraram críticas públicas e nos bastidores ao país por não fazer o suficiente para enfrentar os militantes.
Com freqüência cada vez maior, os EUA passaram a agir por conta própria, atacando com aviões não-tripulados, como ontem, e chegando a lançar um ataque no Paquistão com forças de operações especiais americanas.
Mas a campanha do Exército paquistanês se intensificou também à medida que o Taleban passou a realizar incursões mais profundas no próprio território do Paquistão e a lançar ataques terroristas ousados, como a explosão no hotel Marriott no mês passado, gerando alta ansiedade entre a elite política, diplomática e empresarial e a sensação de que o país se equilibra à beira de um abismo.