O dia começa muito cedo em Maceió. Por volta das 5h30, o calçadão à beira-mar já está repleto de gente. Caminhando, pedalando, se exercitando, bem antes do sol se impor, mostrando que ali é o Nordeste.
Aos poucos os turistas vão acordando, tomando lugar nas mesas dos hotéis para degustar os melhores sucos de frutas típicas da região, tapiocas, manguzás, queijos-coalho... Todos já em trajes de banho para mais tarde ou curtir a orla da cidade ou partir nos ônibus de excursão rumo ao litoral norte ou a litoral sul, com direito ao roteiro das lagoas, dos corais, das rendeiras.
Maceió é quente e úmida e cheira a melaço de seus antigos engenhos. E é muito procurada por famílias e casais em lua-de-mel. Dizem que dá sorte. Por conta disso, os hotéis investem em pacotes de núpcias e atrações para os pequenos.
Para conhecer o mar de Maceió, o ideal é se hospedar no trecho que vai de Pajuçara a Jatiúca e que passa por Ponta Verde, o lugar mais agitado da orla. Concentração de guarda-sóis multicoloridos e gente de toda parte espalhada pela areia fofa. “Vai uma água de coco aí, paulista? Ou um abacaxi doce e arretado?”, perguntaram
Incrível como as frutas de lá são doces. Inesquecíveis. Sirva-se à vontade e se prepare para um dos programas mais disputados na cidade: o passeio de jangada pelas piscinas naturais de Pajuçara.
Como as embarcações dependem da tábua das marés, não se atrase. Caso contrário, perderá a chance de, devidamente acomodado em banquinhos de madeira, ouvir as mais pitorescas histórias dos pescadores – o percurso dura em média 15 minutos -, alimentar cardumes de peixinhos com miolo de pão e passar horas nos “bares” aquáticos.
Uma “ jangada-bar” circula entre as embarcações - 15-20, dependendo do dia – vendendo bebidas, aperitivos e lanches. Embora não haja um tempo determinado para todos ficarem curtindo a água quentinha e cristalina das piscinas naturais -, o passeio dura uma média de uma hora e meia a duas.
Tempo precioso para se avistar corais, ouriços, polvos e estrelas-do-mar ou para nadar nas piscinas, caminhar nos bolsões de areia e observar centenas de peixinhos. Dóceis, mansos, acostumados à presença humana.
De longe, as piscinas de Pajuçara são verde-esmeralda. Mas de perto a água é transparente. O melhor período para o passeio é o da “maré viva” (nome dado aos três dias antes e até três dias depois das luas cheia e nova), épocas nas quais a maré fica muito alta e muito baixa no mesmo dia.
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230 km de mar azul turquesa
O litoral de Alagoas é um dos mais belos de toda a costa brasileira. Sobrevoando o Estado, a partir da Bahia, nota-se a diferença de cor: as águas na terra de Caetano Veloso têm tom verde-esmeralda enquanto que as de Alagoas tingem-se de um verde e de azul turquesa. Um espetáculo com direito a inúmeras lagoas, que deram nome ao lugar.
São ao todo 230 quilômetros de praias sem fim. Uma completamente diferente da outra, que oferecem aos visitantes extensas faixas de areia, recifes, 146 piscinas naturais que se formam entre rochas, 58 lagoas e manguezais. Um paraíso por onde navegam grandes e pequenas embarcações, incluindo as rústicas, de pescadores, que lançam suas redes logo ao amanhecer.
A paisagem se completa com a alternância de coqueiros, falésias de areias coloridas, blocos de recifes e longos trechos de mangue, que aparecem entre uma praia e outra – e de onde comunidades tiram seu sustento, com a pesca dos caranguejos e mussulins, mariscos tradicionais na culinária regional.
Com pouca ou muita estrutura, movimentadas ou praticamente desertas, com mar para caldo ou para surfistas, localizadas em área de proteção ambiental e sede de projetos do Ibama, há praias para todas as preferências – um roteiro que pode ser explorado tendo como ponto de partida Maceió.