As 12 sessões parlamentares que se seguem às eleições representam um calvário para os perdedores. Os derrotados são deixados de lado no equacionamento dos futuros planos. Depois de minha derrota em 1988, me vi cercado, no fundo do plenário, por parlamentares tristonhos e deprimidos, relegados a um segundo plano e excluídos das conversas. Numa dessas vezes, o culto vereador Marco Brisola, não mais que de repente, explodiu:
- Tenha paciência! Nós estamos parecendo as viúvas argentinas da Praça de Maio... Se ao menos houvesse um vinho na parada.....e um tango argentino – concluiu outro, lembrando o poema de Manoel Bandeira, em que o moribundo pergunta ao médico: E agora, doutor? E este responde: - Agora, meu amigo, agora é tocar um tango argentino!
Rui Bertoti