Nova York - Após arrancar críticas até de conservadores com o acirramento dos ataques pessoais a Barack Obama, o republicano John McCain ontem pediu respeito ao adversário democrata pela Presidência dos EUA. O episódio motivou vaias dos presentes ao encontro com o candidato, em Minnesota.
“Se vocês querem briga, vamos brigar”, disse McCain em resposta a um eleitor que, literalmente, pedira briga na campanha. “Mas seremos respeitosos. Admiro o senador Obama e suas realizações”, completou ele, antes de receber vaias. O senador acenou para fazer cessar os apupos e disse que não desejava a redução na ferocidade, só respeito.
Até hoje, porém, ele ficara impassível quando gritos de “terrorista”, “traição” e “mentiroso” foram dirigidos a Obama em atos de sua campanha. Mas quando uma eleitora pegou o microfone e disse não confiar em Obama e emendou: “Ele é árabe”, McCain balançou a cabeça em discordância: “É decente, um homem de família. Cidadão com quem eu tenho discordâncias em questões fundamentais. E é disso que a campanha trata”.
Comerciais
Na TV e na Internet, porém, os ataques continuam. A campanha republicana lançou dois novos clipes em que critica a “ambição cega” e os “julgamentos ruins” de Obama.
As inserções repetem acusações feitas anteriormente - como os laços do democrata com William Ayers, que nos anos 70 promoveu atentados para protestar contra o racismo e a Guerra do Vietnã - e relacionam Obama à crise,
No novo anúncio “Acorn”, a campanha de McCain associa o democrata à entidade não-governamental que é pivô de um esquema suspeito de fraudar a inscrição eleitoral em 11 Estados. Segundo a peça, Obama “treinou a equipe” da Acorn (Associação de Organizações Comunitárias pela Reforma Agora), “que forçou bancos a conceder arriscados empréstimos imobiliários, o mesmo tipo que causou a crise de hoje”.
A inserção também acusa os democratas de pagarem US$ 800 mil à associação para incentivar a participação no pleito do dia 4 -a entidade promove o registro eleitoral, pois o voto não é obrigatório nos EUA.
Reportagem da CNN apontou que até 50% dos formulários entregues em alguns Estados apresentavam assinaturas aparentemente feitas pela mesma pessoa. As juntas eleitorais levaram o material a escrutínio.
Aspectos privados do democrata viraram alvo. O dirigente da campanha republicana Frank Keating, em entrevista a uma rádio sobre Obama, citou o uso de cocaína pelo candidato - que, em seu livro, narrou tê-lo feito na adolescência. Entre os democratas, a estratégia é deixar a defesa de Obama aos correligionários - hoje, o candidato a vice, Joe Biden, disse que McCain “busca a estrada mais baixa rumo ao escritório mais alto nos EUA”.