Com faixas cobrando reajuste e buzinaço, policiais civis em greve em Bauru desde o dia 10 do mês passado enfrentaram o calor e o sol forte de ontem à tarde numa passeata que saiu do 1.º Distrito Policial, localizado na Vila Falcão, até a Praça 9 de Julho, em frente à Instituição Toledo de Ensino (ITE). Cerca de 300 policiais participaram do ato, realizado simultaneamente em várias cidades do Estado de São Paulo e na Capital.
Numa mostra de que a greve da categoria continua apesar do governador José Serra ter enviado à Assembléia Legislativa proposta de aumento linear do salário base de 6,5% para as três polícias em 2009 e mais 6,5% em 2010, os policiais civis já preparam outras atividades. Edson Cardia, delegado regional do Sindicato dos Delegados do Estado de São Paulo (Sindpesp), adianta que no próximo dia 27, véspera do Dia do Funcionalismo Público, a categoria irá protestar na Capital outra vez.
“Será um megaencontro, na Praça da Sé, com policiais de todo o Estado de São Paulo”, avisa. De Bauru, devem sair pelo menos dois ônibus, como ocorreu na semana passada para o protesto nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes que acabou em confronto entre as polícias Civil e Militar.
Cardia afirma que a proposta do governo não atende as necessidades da categoria. “E, além de não atender, trata-se de uma imposição porque nada foi discutido com os policiais”, afirma.
Os policiais civis reivindicam aumento salarial de 15% neste ano e reajustes de 12% nos dois anos seguintes, mas estão abertos à negociação, de acordo com Cardia. “Não somos intransigentes, podemos discutir estes índices”, frisou. A direção do Sindpesp está coletando assinaturas em todo Estado para tentar destituir a diretoria da Associação dos Delegados do Estado de São Paulo. Isso porque a entidade está negociando com o governo a possibilidade de colocar fim à greve após o envio de proposta de reajuste à Assembléia Legislativa. “Quem tem legitimidade para negociar é o sindicato, não a associação”, frisa Cardia.
Os policiais que participaram da passeata de ontem doaram alimentos não perecíveis que serão entregues a uma entidade. Ainda ontem, após a passeata, os policiais civis se reuniram na ITE para discutir o assunto greve com a direção de sindicados de outras categorias profissionais, como servidores da Justiça e do sistema prisional. O objetivo era falar sobre acertos e erros em movimentos semelhantes. “Os depoimentos dessas duas categorias, que viveram greves longas nos últimos anos, nos deram mais estímulo para continuar o movimento”, completa.