O pequeno João Vítor Borba de Siqueira Lima, de apenas 12 anos, já sabe a importância de evitar atos de vandalismo nos patrimônios históricos de Bauru. “Temos que preservar o que foi construído há muito tempo”, diz o estudante da 6ª série do Colégio Adventista.
Cerca de 180 alunos da instituição participaram ontem de palestras cujo assunto tem preocupado as autoridades locais: as pichações. Há duas semanas, o trabalho desenvolvido pela Polícia Militar (PM) através do programa Jovens Construindo a Cidadania (JCC) promove reuniões nas escolas públicas e privadas da cidade com o intuito de conscientizar jovens sobre os problemas decorrentes deste tipo de crime.
Durante a manhã, os estudantes receberam orientações sobre como evitar o problema. “Isso pode prejudicá-los, e também a cidade. Não pode ser confundido com arte ou algo positivo”, afirma o tenente Gustavo Cardoso Xavier. “Queremos que cada um deles, nas suas famílias, bairros, vizinhos e entre amigos, previnam as pichações”.
Segundo Xavier, a maioria dos alunos sente o impacto deste ato de vandalismo, disseminado por toda a cidade. “Abordamos o enfoque da situação de crime de quem comete isso para que possamos ao máximo prevenir esse tipo de ação. Queremos realizar isso na maior quantidade de colégios possíveis na área centro-sul da cidade, que é a da 1ª Cia (da PM)”.
Pichar está enquadrado na lei de crimes ambientais. Após ser detido, o infrator é conduzido até o plantão policial, onde é elaborado boletim de ocorrência . A partir daí, cabe ao Ministério Público (MP) decidir sobre qual tipo de punição será aplicada, tais como prestação de serviços à comunidade, reparação do dano ou pagamento de multa.
Por se tratar de um trabalho de prevenção, o tenente afirma que é difícil mensurar o resultado das palestras. “Através da conscientização e de contatos com a Polícia Civil e Ministério Público, além da Vara da Infância e da Juventude em Bauru, podemos coibir mais firmemente e prevenir essa situação, que está ocorrendo com freqüência em Bauru”, admite.
O convite para o encontro partiu após a diretora do colégio, Suzete Águas Maia, entrar em contato com a polícia, que convidou alunos da instituição a participar da recuperação da estátua de leão na avenida Nações Unidas. “Queríamos que fosse abordado qual a preocupação da polícia com o patrimônio público e orientar os alunos a não pichar”, afirma.
A própria escola já sofreu com isso. Somente neste ano, a instituição foi pichada três vezes. “É um assunto que nos diz respeito, pois estraga a escola. Já pintamos por cima, mas sempre sofremos com isso. As autoridades precisam tomar atitudes mais efetivas para que isso diminua e a nova geração tenha uma consciência mais positiva sobre preservar a cidade”, relata.
Isabela Barbosa, 13 anos, foi uma das alunas que auxiliaram na recuperação da estátua. “Com aquilo, pudemos aprender como é difícil limpar a sujeira que as pessoas fazem. Demorou bastante”, afirma. “Acho que nossa cidade tem que ser bem arrumada. As pessoas que vêm de fora podem sair falando mal caso isso não ocorra”, completa Natália Zanette, 12 anos. “As gerações futuras devem deixar a cidade bonita”, enfatiza João Pedro Magalhães Chagas, também de 12 anos.