Santa Cruz do Rio Pardo - A idéia surgiu como passeio ecológico, mas a atividade de lazer virou o mais inédito acervo fotográfico que retrata toda a extensão do rio Pardo pelo professor José Roberto Lamoso e o técnico administrativo da Sabesp Luiz Carlos Cavalchuki. A “expedição” durou seis dias desde a nascente do rio Pardo, em Pardinho na região de Botucatu, até a foz nas águas do Rio Paranapanema, em Salto Grande.
Em cima de caiaques e levando toda a tralha, dormindo a noite nas margens, os dois percorreram 264 quilômetros do rio. Eles acabaram fazendo um inventário fotográfico que ganhou mais relevância, porque pelo menos dois acidentes naturais podem desaparecer devido à construção de hidrelétricas: salto de Niagara em Óleo e o da fazenda Guacho em Santa Cruz do Rio Pardo.
Cavalchuki conta que decidiu fazer a “expedição pelo Pardo”, após tomar conhecimento dos estudos de viabilidade técnica para a construção de cinco hidrelétricas de pequeno porte ao longo do rio. “Não foi algo tão planejado, mas após a viagem teve uma repercussão grande quando fizemos a exposição de fotos”, disse.
O rio Pardo aumenta de tamanho no trecho que vai de Santa Bárbara do Rio Pardo até juntar-se ao rio Paranapanema. Da nascente até a região de Botucatu, ainda é um pequeno riacho.
Todo o percurso foi documentado em fotos e têm encantado estudantes e turistas de Avaré e região. Inicialmente o acervo ficou exposto na unidade da Sabesp de Santa Cruz do Rio Pardo, mas as fotografias foram dispostas em painéis com explicações sobre o rio e cada trecho registrado. Os painéis ficaram expostos até sexta-feira (14) na Secretaria de Cultura de Santa Cruz. São 52 fotos distribuídas em seis painéis. As imagens já foram expostas também na Faculdade de Filosofia e Letras (Fafil), Faculdade de Administração de Santa Cruz (Fasc) e no Hotel Berro D’Água, em Avaré.
Cavalchuki pretende voltar ao rio para gravar imagens em DVD. O documentário está orçado em R$ 20 mil que será custeado com recursos captados junto a empresários da região.
Ele quer guardar as imagens das quedas d’água, saltos e cachoeiras em DVD com duração de aproximadamente uma hora.
Segundo Cavalchuki, para a produção do filme é preciso contratar cinegrafistas e barqueiros, além do pessoal de apoio. “O lamentável é que a população de muitas cidades desconhecem e nem aproveitaram como lazer esses acidentes geográficos naturais. Tudo isso pode desaparecer em nome do progresso”, declarou.