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Pobres bichos e pássaros. Pobre homem destruidor


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Reconhecidamente Bauru atravessa um tempo de incoerências, pois enquanto autoridades e forças vivas se agregam para discutir e procurar resolver problemas de depredações, violências e pichações das escolas e bens públicos, da violência que causa pânico entre a população e a do trânsito que causa centenas de mortes de inocentes, por outro lado, aleatoriamente, ou sem nenhum vigor, assistem e não participam do que pode redundar na devastação de nossa mata urbana, da Água Comprida. Uma incontestável riqueza de Bauru, que raríssimas cidades do Estado e do País possuem e que, a grosso modo, eu comparo como se fosse um lençol de petróleo, jazida de diamantes e cujo valor e importância não estão sendo considerados. O perigo evidente é a permissão naquela área para a construção de 30 torres de apartamentos.

Eu me pergunto e tenho certeza de que milhares de bauruenses reflexionam e também se perguntam: ótimo pelos empregos que representarão e pelas moradias que serão oferecidas, mas por que lá? Por que tem que ser no coração daquela mata ou mesmo em seus limites? Por que não podem ser construídas em outras áreas também nobres da cidade que já foram devastadas e às quais levariam o progresso e valorização? Alguém pode precisar exatamente quantos anos foram precisos para que a mãe natureza formasse aquela riqueza? Calculo milhares de anos que em poucas horas desaparecerão pelo trabalho de tratores possantes. Nossa visão está limitadíssima, centrada em promessas empresariais que, se de um lado são promissoras, de outro são danosas, irreparáveis e que darão o troco para nossos filhos. A belíssima cidade de Maringá mantém em seu coração uma floresta virgem e também o belíssimo Parque do Ingá, onde pousam todas as tardes milhares de pássaros.

A cidade de Garça possui um belo bosque municipal incrustado em uma mata virgem que fica próxima ao Fórum e do Lago das Cerejeiras. Além da mata da Fazenda Paraíso, hoje reserva estadual com centenas de alqueires. A nossa Capital, São Paulo, mantém um cinturão verde de mata virgem ao seu redor para manter a garantia da qualidade do ar. E ainda a maravilhosa mata da Serra da Cantareira, guardada e protegida pelos meios mais eficientes que se conhece. E, infelizmente, a nossa “Cantareira” corre o risco do desaparecimento. A meu ver, a magnitude do seu destino é tão grande e importante que transcende decisões do prefeito, Câmara Municipal, Magistratura, Ministério Público, Plano Diretor e órgãos técnicos, cabendo ao povo de Bauru cuja vontade deverá ser ouvida e respeitada. Na impossibilidade da realização de um plebiscito como só acontece em países de primeiro mundo, em que para se derrubar uma árvore ou modificar uma praça o povo é ouvido através do voto, que sejam criados meios para ouvir sua vontade!

O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor

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