O vereador e prefeito eleito de Bauru, Rodrigo Agostinho (PMDB), defendeu ontem, na sessão da Câmara Municipal, nova proposta para a manutenção da floresta urbana do Parque Água Comprida, próxima do câmpus da Unesp. Ele lançou que a prefeitura pode vincular a aprovação de empreendimentos em outras regiões da cidade por áreas verdes exatamente na mata próxima da universidade, garantindo assim sua sobrevivência para futura instalação de parque urbano.
Agostinho disse que vai se reunir com Tuga Angerami para tratar do assunto e propor que o atual prefeito abra mão de encaminhar projeto de lei no final de sua gestão sobre o assunto, deixando a discussão para 2009.
Na semana passada, em entrevista ao JC, o professor universitário e arquiteto José Xaides de Sampaio Alves abriu a discussão sobre alternativas para a manutenção da floresta da Água Comprida argumentando que o ideal seria autorizar empreendimento imobiliário apenas no trecho paralelo à avenida Luiz Edmundo Coube e não dentro da mata, como pretendem os proprietários de metade da gleba de 600 mil m2.
Ontem, no rol dos oradores da sessão legislativa, Rodrigo retomou o assunto. “Desde o início defendo a proposta de criação do parque”, afirmou ele. “Temos de discutir como conservar essa área”, reiterou.
Segundo Rodrigo, existem loteamentos em Bauru onde as áreas verdes e institucionais ficaram localizadas fora do empreendimento. Citou como exemplo o Jardim Estoril 5, cuja averbação da área obrigatória foi feita em Arealva. A vantagem desse tipo de ajuste, na forma da lei, é que a preservação da floresta poderia, no tempo, ser viabilizada sem custo.
Para o peemedebista, a outorga onerosa e Transferência do Direito de Construir, instrumentos contidos no Plano Diretor (PD), teriam difícil aplicabilidade em Bauru pelo fato de o coeficiente de aproveitamento ter sido aumentado na votação do projeto. Na prática, a mudança representa que é possível ao empreendedor construir prédios mais altos sem ser penalizado por isso.
Majô Jandreice (PC do B) defendeu a manutenção da área de mata. Para ela, o desmatamento de parte da mata comprometeria toda a gleba. Ressaltou ainda que a mesma situação ocorreria com proprietários de áreas vizinhas. “Não podemos aceitar que haja regulamentação do Plano Diretor especificamente para um projeto imobiliário”, criticou Majô.