Bairros

Transporte alternativo ganha mais adeptos

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Eles percorrem vários quilômetros todos os dias para se dirigir ao trabalho, escola ou até mesmo para um passeio. Alguns abrem mão de alguns minutos a mais de sono e acordam mais cedo apenas para poder fazer o percurso de casa até o trabalho ou mesmo até a escola a pé. Alguns apostam no transporte em duas rodas, não nas motos, mas sim na boa e velha bicicleta.

Ela, que é bastante utilizada como meio de transporte no dia-a-dia, por ser um veículo barato, ecológico e saudável, foi criada no século 19, e estima-se que no mundo hajam mais de 1 bilhão de unidades em todo o mundo. Em Bauru, o veículo não é só coisa de criança, principalmente nos bairros, onde elas são, sim, o meio de transporte mais usado para quem precisa se deslocar por longas distâncias, seja para o trabalho ou qualquer outro tipo de compromisso.

Luis Carlos Fernando cruza a cidade todos os dias pela manhã com sua bicicleta para chegar ao trabalho no Distrito Industrial 1. Ele mora na Vila São Paulo, região norte de Bauru, e leva cerca de 40 minutos para chegar ao trabalho na região leste.

Ele conta que a preferência pela bicicleta, ao invés do transporte urbano, por exemplo, não está na economia, mas, sim, na preocupação com a saúde. “A gente trabalha o dia inteiro e não tem tempo para caminhar ou fazer alguma tipo de exercício, por isso, o percurso de casa até o trabalho e vice-versa todos os dias me garante uma vida saudável’, comenta.

Leonardo Simões Botelho é outro que se desloca para trabalho de bicicleta. Sua casa fica no Parque Viaduto, região oeste da cidade. Todos os dias ele percorre em torno de 13 quilômetros apenas para ir ao trabalho. “Já acostumei. Só deixo de vir de bicicleta quando chove muito, daí sou obrigado a pegar o circular”, brinca.

Antônio Aparecido de Almeida e Ezequiel José Teodoro também usam a boa e velha bicicleta para se deslocarem ao trabalho visando a economia no final do mês e também uma vida saudável. Eles, que trabalham na construção civil há pelo menos 2 anos, sempre utilizam esse tipo de transporte para ir de um lado para o outro da cidade. “Dependendo do lugar aonde a gente pega o serviço, já chegamos a rodar quase 40 quilômetros”, afirma Antônio.

Já outros bauruenses optam pela caminhada para ir de casa até o trabalho todos os dias. As amigas Rita de Cássia Martins e Tânia Maria da Silva preferem andar a pegar o transporte coletivo. As duas moram no Jardim Redentor e o serviço fica a menos de três quilômetros de casa.

Elas contam que fazem o percurso em 20 minutos e que poderiam até aceitar o vale-transporte, mas que no fim do mês o dinheiro faz falta. “A única coisa ruim de se deslocar para o trabalho a pé sãos as condições das calçadas e ter de atravessar a passarela, que, além de estar mal conservada, serve de esconderijo para gente mal intencionada”, reclama Rita.

A passarela citada por elas fica sobre a vicinal Horácio Frederico Pyles, que serve de acesso à rodovia Comandante João Ribeiro de Barros. O local, além de escuro, é utilizado freqüentemente como ponto de uso e venda de drogas.

A maior parte das pessoas que vão para o trabalho de bicicleta ou a pé não sabe o quanto o meio ambiente agradece esse “esforço” diário, já que tanto os carros passeio, motocicletas ou mesmo o ônibus do transporte circular emitem mensalmente toneladas de poluentes que se misturam na atmosfera e são aspirados por todos diariamente.

Esses gases, como o monóxido e o dióxido de carbono, além do enxofre resultante da queima do diesel, são os responsáveis por desencadear diversas doenças nas pessoas e, inclusive, por centenas de mortes.

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Longa caminhada

Ela bem que poderia participar dessas caminhadas de longo percurso, afinal, Elizabete Bomborato caminha todos os dias cerca de 18 quilômetros para ir e voltar do trabalho. Ela entra no serviço às 8h, mas sua ‘andança’ começa por volta das 6h40, quando sai de sua casa, no Residencial Parque dos Sábias, em direção à região central. O trajeto é repetido no período da tarde, logo após o trabalho.

Elizabete explica que o motivo de não usar o transporte coletivo não é a economia no final do mês. “É nesse trecho que eu aproveito para pensar na vida, para fazer minha caminhada”, relata. Ela diz que já fez o percurso com o transporte circular, mas garante que se sentiu mais cansada que caminhar até o trabalho. “Caminhar é terapia”, defende.

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