Politicando

Zero a zero


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Uma das primeiras eleições em que exerci o direito do voto foi a disputada pelas chapas Lott-Jango, populistas de um lado, e Jânio-Miltom Campos, ortodoxos do outro. Na época eu era calouro de Medicina e entrei crente que estava abafando numa sessão, em Botafogo. Afinal de contas, eu estudava na melhor faculdade do Rio e votar para mim era fichinha. Por isso não demorei nem 5 minutos na cabine, mas quando já estava na rua verifiquei que tinha esquecido de votar no vice, no caso o grande líder gaúcho Jango, a quem eu admirava por suas posições nacionalistas. Isso me causou um terrível remorso no resto do domingo, apesar do meu colega de quarto, Celso Torres, tentar me animar dizendo que um voto a mais ou a menos não iria fazer diferença. Não adiantou. Continuei na fossa por toda a segunda-feira, a ponto de no retorno para casa, ao entardecer, num bonde da Urca, voltar a relatar a minha falha para outros companheiros. Foi então que recebi do homem de Avaí, o Álvaro Paschoal, um convite que me causou estranheza, pois não era costumeiro:

- Bertoti, vamos descer no Mourisco que eu vou lhe pagar uma dose de White Horse.

- Por qual motivo? Perguntei.

E o Álvaro:

-Você não sabe o alívio que está me trazendo. Eu também não agüentava de remorso, pois também esqueci de votar no meu vice, o Miltom Campos. Agora estamos quites e vou ficar mais calmo. Zero a zero! Estamos empatados, meu chapa!

Contada por Rui Bertoti

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