Cultura

Internet ressalta perfil multimídia do jornalista

Guilherme Serrano
| Tempo de leitura: 2 min

A criação do World Wide Web - WWW ou Web - no início dos anos 1990 viabilizou a utilização da internet como ferramenta para a divulgação de informações pelo meio jornalístico. Ao longo da história do jornalismo na rede, nem sempre o formato de divulgação dos acontecimentos foi o mesmo, ocorrendo evoluções e transformações. Aquilo que num primeiro instante era apenas a transposição do jornal impresso para a internet, hoje utiliza-se de ferramentas que proporcionam o diálogo entre mídias e leitores.

A pré-seleção de assuntos de acordo com interesses individuais e a possibilidade do leitor sentir-se parte do processo produtivo através de troca de e-mails com jornalistas, chats e fóruns de discussões são chamadas de personalização e interatividade. A convergência de mídias tradicionais - texto, som e imagem - em um único produto e a vinculação de textos entre si através de links caracterizam-se como multimidialidade e hipertextualidade. Tais elementos não refletem apenas as potencialidades oferecidas pela internet ao webjornalismo, mas também as novas adaptações pelas quais o profissional da comunicação deverá passar para atender as necessidades do mercado de trabalho.

“Vivemos cada vez mais a época do jornalismo convergente, ou seja, as diversas mídias convergindo para uma única plataforma, que, por sua vez, será múltipla. Também a miniaturização dos equipamentos faz com que tenhamos que trabalhar com um novo conceito: o de reportagem multimídia. Os novos jornalistas precisam dominar a linguagem de todas as mídias”, diz Mauro Ventura, jornalista e professor da Universidade Paulista “Julio de Mesquita Filho” (Unesp).

O texto linear e hierarquizado característico do jornalismo impresso transforma-se ao ser transposto para a internet. A utilização do hipermídia, dispositivo tecnológico que reúne o hipertexto e a multimidialidade, rompe com a hierarquização do conteúdo, garantindo a interação do usuário tanto na construção da informação quanto na rápida ligação entre diversos conteúdos por meio de links.

Nesse contexto, novas competências digitais com as quais o profissional da comunicação deverá relacionar-se surgem e, com o ela, o leitor exerce um novo papel dentro da atividade jornalística. “O leitor agora pode ser também um produtor de material noticioso, podendo participar pelos canais de interatividade, cobrando, assim, mais qualidade da imprensa. Há também a questão do jornalismo colaborativo, muito importante nessa discussão. E os blogs, que cada vez mais se tornam fontes de informação”, salienta Ventura.

Embora a utilização de distintos sistemas possibilite incorporar o usuário às etapas de produção do conteúdo jornalístico, Mauro Ventura diz que a figura do jornalista como mediador da realidade sempre existirá. “Com o aumento da quantidade de meios de informação, surgem novas funções nesse cenário. Uma delas é a do tutor da informação, ou guia. Alguém precisa filtrar aquilo que é relevante. Por mais que todos possam produzir material noticioso, nem todos, ou muito poucos, possuem um olhar jornalístico. Há uma especificidade nessa profissão, assim como em qualquer outra. Sempre haverá espaço para o jornalista, para aquele que vê o mundo pela ótica do jornalismo”, afirma.

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