O paradeiro de 14 crianças nascidas entre os dias 21 e 23 de outubro de 2001 na Maternidade Santa Isabel será investigado pela Polícia Civil em Bauru. Se encontradas, elas e suas mães serão intimadas para que se submetam a um teste de DNA. O objetivo é esclarecer uma troca de bebês ocorrida naquela época na instituição.
Com o exame, será possível apurar o que aconteceu com o filho de Vera Lúcia Dutra e Reginaldo Aparecido de Souza, de Reginópolis. Ele nasceu às 23h05 do dia 22 de outubro, em 2001. Cerca de três horas depois, os pais foram informados que o bebê havia morrido. Era do sexo masculino, mas a família sepultou uma menina. Agora, ela quer saber se a criança morreu mesmo ou se está viva. E, caso esteja viva, onde foi parar.
“Vamos expedir ordem de serviço para localizá-las. A maioria é de Bauru. Um ou outra é de cidades próximas e da zona rural”, explica o delegado Ismael Cavalieri, que preside o inquérito no 3º Distrito Policial. De acordo com ele, a diligência para localizar as 14 crianças foi solicitada pelo promotor João Henrique Ferreira. “Protelei ao máximo tentando achar um meio de fazer a prova de outra forma. Não encontrei, então agora vamos tentar fazer dessa forma”, explica o promotor.
Inicialmente, a procura pelo filho do casal de Reginópolis se limitava aos bebês que morreram. A Associação Hospitalar de Bauru (AHB), mantenedora da Maternidade Santa Isabel, informou a relação de crianças nesta situação entre os dias 21 e 23 de outubro de 2001 (a data foi um pouco estendida por segurança). Com base na informação, em fevereiro do ano passado, foram exumados os corpos de três bebês que morreram no mesmo dia que o filho do casal teria morrido.
11 de Setembro
Mas devido ao tempo transcorrido, o material orgânico recolhido foi insuficiente para fazer o exame convencional de DNA, que seria realizado pelo Instituto de Criminalística (IC), em São Paulo. Diante da dificuldade, a delegacia pesquisou a possibilidade de fazer outro tipo de exame nos restos mortais, encaminhados ao biólogo e geneticista Esiquiel de Miranda.
Após análise do material e do produto utilizado pelo IC para limpá-lo, o especialista chegou à conclusão de que o DNA poderia ser extraído pelo método utilizado nos EUA com as vítimas do 11 de Setembro, embora as chances fossem pequenas. O trabalho seria feito pelo geneticista em parceria com um laboratório de Campinas e teria custos, estimados em R$ 60 mil, segundo Cavalieri. “Foi colocado para a AHB arcar, mas ela informou que não tinha como. O IC também informou que não tinha verba orçamentária para pagar um outro laboratório”, explica o delegado.
Não restou alternativa, então, que não a de procurar as 14 crianças. O endereço delas mais uma vez foi informado pela AHB, com base em dados registrados na época do nascimento. Caso haja dificuldade em encontrá-las, a Polícia Civil recorrerá a dados de órgãos como Serasa, CPFL e Departamento de Água e Esgoto (DAE), explica Cavalieri. “Vamos conversar com o diretor do Instituto Médico Legal (IML), Ivan Segura, para verificar se podem coletar o sangue”, informa o delegado.
Porém, se alguma das crianças não for encontrada ou se, por uma fatalidade perdeu a vida após deixar hospital, o caso pode não ser esclarecido nunca. “Está demorando muito para acabar. Já são sete anos. Não acho que meu filho esteja vivo, mas quero saber a verdade. Espero que as outras mães me entendam e ajudem”, desabafa Vera Dutra, preocupada com eventuais resistências. Em aberto, ainda hoje a situação lhe arranca lágrimas.