Internacional

Sapato leva a renúncia de chefe do Legislativo iraquiano

Folhapress
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Bagdá - Um dia depois de George W. Bush falar que espera que as autoridades iraquianas “não sejam muito severas” com o jornalista que o chamou de “cachorro” e atirou sapatos contra ele no domingo, a sessão de ontem do Parlamento iraquiano registrou tumulto por conta do episódio. Houve bate-boca, que culminou com o pedido de renúncia do presidente da Casa, Mahmud Mashadani.

Apesar de a pauta do dia estipular o debate da legislação para a saída do Iraque de tropas estrangeiras de países além dos EUA, Mashadani propôs a discussão sobre a prisão do repórter Muntader al Zaidi, 29 anos.

“Alguns dos membros apóiam o governo, mas temos que admitir que houve erros no procedimento da detenção. E também devemos condenar o fato de ele ter sido agredido”, declarou Mashadani.

Foi a senha para intensas discussões entre vários deputados na Câmara. Parlamentares então abandonaram a sessão. “Mashadani ficou muito nervoso, suspendeu a reunião e anunciou sua renúncia”, relatou o deputado Omar Abdel Satar, que é correligionário do presidente do Parlamento. Ele afirmou que, posteriormente, iria procurar Mashadani “para saber se a decisão é séria ou se ele a havia tomado só porque estava nervoso devido ao caos”.

Paralelamente, familiares do jornalista voltaram a denunciar maus-tratos. Ontem, Al Zaidi foi ouvido por um juiz na prisão, e não no tribunal criminal, onde deve comparecer em uma semana. “Significa que meu irmão foi severamente agredido e que temem que sua aparição pública gere raiva no tribunal”, declarou Dargham al Zaidi ao jornal britânico “Guardian”.

No mesmo relato, o irmão do repórter - cujo protesto contra o presidente dos EUA tem particular simbolismo na cultura islâmica, em que tanto a sola dos sapatos quanto o cachorro são considerados impuros- contou que, sem dar maiores detalhes, o juiz (que conduz a investigação do episódio) disse que Al Zaidi “cooperou’’.

Não foram só os familiares do jornalista que relataram agressões. A France Presse informou que um de seus jornalistas viu manchas de sangue no ponto em que Al Zaidi foi imobilizado.

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