Regional

‘Onda’ de furto traz prejuízos e mobiliza comércio em Pederneiras

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Pederneiras - Uma “onda” de furtos já causou mais de R$ 15 mil de prejuízos aos comerciantes da área central de Pederneiras (26 quilômetro de Bauru) e provocou uma mobilização na cidade. Os lesados querem providências urgentes das autoridades policiais. Alegam que pagam seus impostos em dia e que merecem segurança. Ontem à tarde, os comerciantes fizeram uma passeata de protesto.

A comerciante Fernanda Cristina Merlin está há dois dias sem poder vender revistas e jornais por causa de um furto em série que ocorreu no início desta semana. “Eles furtaram pouco dinheiro, somente o que estava no caixa, moedas de troco, mas fizeram um estrago que não permitiu a reabertura da banca até hoje (ontem)de revista.”

Ao estourar o forro de madeira para entrar no estabelecimento, os ladrões espalharam muito pó. “As revistas ficaram todas empoeiradas. As paredes por onde eles desceram ficaram sujas e tivemos que limpar tudo e até pintar as paredes”, disse. O estabelecimento paralisou as atividades por três dias.

Ela registrou o fato na polícia e espera que as autoridades tomem providências urgentes. “Quero ver a polícia na rua, coisa rara hoje em dia.” Outros dois comerciantes foram furtados no mesmo dia.

Dono de uma loja de eletrodomésticos, Mário Roque Pinal teve a triste surpresa de encontrar o estabelecimento todo bagunçado na manhã de ontem. “Eles entraram pelo forro e levaram aparelho de DVD, mini system e R$ 100 em espécie que estavam no caixa. A bagunça com as fichas do crediário, notas etc. causou transtornos para todos os funcionários.”

Ela acredita que a situação chegou ao limite. “Todos os dias tem mais de um comerciante lesado. A polícia registra o fato e pede para as vítimas aguardarem.”

O comerciante Milton Artioli, que há 23 anos vende sapatos na cidade, foi outra vítima dos ladrões “Eles estouraram dois vitrôs e uma porta. Levaram o dinheiro que tinha no caixa, cerca de R$ 600 reais. Na mesma noite entraram na loja vizinha. A polícia precisa fazer alguma coisa”, reclama.

A loja vizinha, que vende roupas infantil e adulto, sofreu com o prejuízo maior. “Eles entraram pelo forro e sujaram todas as roupas que eu não posso vender. Tenho alarme monitorado, mas nem assim. A ação é rápida. Perdi mais de R$ 2 mil em mercadorias, frisa Alerid Campeão.

Ela quer segurança. Diz que paga os impostos em dia e que não tem mais sossego. “Eu gero empregos e não posso ter prejuízos toda hora. Eu acho que está na hora das autoridades tomarem uma providência.”

Um comerciante, que preferiu não se identificar com medo de represálias, foi o mais lesado. “Tenho duas lojas. Nas duas os ladrões quebraram a porta de blindex. Em uma das lojas, tive que colocar duas portas de ferro por dentro porque não agüento mais os prejuízos.”

Os ladrões já levaram dois computadores, dois monitores de LCD. “Tive que repor. Eles retornaram na semana seguinte e levaram mais um monitor. “A CPU estava presa com um cabo de aço.”

Além do alarme, o comerciante teve que fazer seguro. “Eu não me conformo porque na mesma madrugada que levaram os dois computadores e monitores, 10 minutos depois, uma loja de roupa foi furtada. A polícia registra, mas não apresenta resultados.”

Ele ressalta que já foram 12 lojas lesadas. “Não estou reclamando só por mim. Todas as madrugadas tem uma vítima.”

Mobilização

A onda de furtos trouxe mais de R$ 15 mil de prejuízos e provocou a indignação das vítimas que resolveram se mobilizar e cobrar ações policiais mais intensas e rápidas para resolver o problema. Valdir Mazzo, dono de um hotel, é um dos organizadores do movimento. “Coloquei um carro som chamando os comerciantes para a reunião. Pretendo colher assinaturas para a confecção de um abaixo- assinado.”

Ele acredita que não há outra maneira de mostrar a indignação para as pessoas responsáveis pela segurança. “Antigamente havia policiais de bicicleta rodando o dia todo. Agora nem viatura e nem polícia na rua, especialmente de madrugada quando ocorrem os furtos”, reclama.

Para ele, em Pederneiras só tem dois tipos de comerciantes; aqueles que foram vítimas e aqueles que serão.

O comandante da 6ª Cia da PM que responde por Pederneiras prometeu intensificar o policiamento. “Identificamos um menor e um adulto que podem ser os autores dos furtos. O caso está sendo apurado.”

O titular da delegacia de Pederneiras, José Claudinei Salvadeo disse ontem que o setor de investigações está tentando identificar os autores dos furtos. “Eles estão tentando obter informações sobre os ladrões”. Até ontem ninguém tinha sido preso e nem identificado, segundo ele.

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