Oriunda de uma corruptela nos arredores de Bauru, uma jovem de semblante mirrado e corpo miúdo, modelado pela desnutrição que lhe acometera na infância, resolve ganhar a vida na glamurosa zona sul da cidade sem limites e fixar moradia em nos arrabaldes daquela região.
Seu grande sonho era fazer um belo pé de meia e ser uma mulher importante, pois aprendera com sua mãe que para ser importante teria que ter posição social e que a avareza era a melhor virtude do ser humano.
Esgueirando pelas dificuldades da vida, entre arengas e promessas percebeu rapidamente que a profissão mais rendosa para seu nível de estudo, conhecimento e cultura seria mesmo a difícil vida fácil, e vendo aí a possibilidade de ganhar uma pequena fortuna, e mais o latente ensinamento de sua mãe, não teve duvidas, alugou um tugúrio e fez ali seu “ateliê” de trabalho.
A avareza e a necessidades de “vencer” na vida levou a pobre jovem a engendrar um plano de ação quase ridículo, além de trágico e fatídico.
Para mobiliar aquele “aprazível” local, que ela chamava carinhosamente de meu cantinho, passou a resgatar verdadeiros lixos (lembro-me bem de uma pequena prateleira de arame toda remendada com pedaços de fio), fazia uma economia quase doentia, aprendeu rapidamente que poderia se alimentar única e exclusivamente de pipoca pois além de nutritiva era de fácil preparo e custo baixíssimo.
Já cansada dos inúmeros clientes daquela longa noite, resolve fazer sua última refeição antes de dormir e, como de costume, prepara a panela para estourar mais uma porção de pipocas e, ao ascender o gás, ocorre uma explosão e tudo vai para os ares. Bombeiros e autoridades acorrem para o local do sinistro e tudo que sobrou em meio aos escombros enegrecido de fumaça foram muitas pipocas que havia em seu armário e com o calor do explosão acabaram estourando e salpicando de branco o negra cena onde a pobre Tina encerrou seus dias.
Os vizinhos que a conheciam, inconformados com a perda de tão notável vizinha, concluíram que ela acabou virando pipoca.
Lázaro Carneiro