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O porquê dos conflitos políticos


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No pleito de 15 de novembro de 1988, a chapa “Avança Bauru”, comandada pelo PSDB, elegeu Antonio Izzo Filho prefeito e Paulo Kawauchi, o primeiro nipônico a ocupar o Executivo, como vice-prefeito. Tuga Angerami foi dirigir a Cohab. Essa aliança durou pouco. Kawauchi, que ocupava a Secretaria do Planejamento, afastou-se do cargo quando Tuga rompeu com Izzo, alegando incompatibilidade com os atos praticados pelo prefeito. A sina de prefeito e vice romperem politicamente continuava rondando a Prefeitura, agora com mais intensidade.

Na eleição de 5 de outubro de 1992, o PMDB elegeu Antonio Tidei de Lima para prefeito e Moussa Nakal Tobias vice. Tidei saiu de Brasília, onde foi deputado de expressão, e veio governar Bauru. Em breve interregno, Moussa substituiu Tidei no cargo, mas quando tentou viabilizar-se como candidato a prefeito no pleito seguinte, sentiu fortes resistências partidárias à sua pretensão, rompendo assim o seu relacionamento político com os peemedebistas. Estimulou então seu irmão Pedro, com breve passagem no PDT e depois no PSDB, a ser deputado estadual, sendo este na última eleição parlamentar, reeleito como o 2º deputado estadual mais votado no Estado.

Vieram as eleições de outubro de 1996 e Antonio Izzo Filho, agora tendo como companheiro de chapa o jornalista Nilson Ferreira Costa, retornou ao Palácio das Cerejeiras. Nilson foi ocupar a Secretaria de Promoção Social. A segunda administração de Izzo foi tumultuada, culminando com sua cassação pela Câmara Municipal em 27 de agosto de 1998, assumindo Nilson Costa. Por ação da Justiça, Izzo retornou ao cargo em 3 de dezembro desse ano, sendo definitivamente cassado em 3 de fevereiro de 1999. O rompimento político entre ambos decorreu assim, da disputa pelo poder.

Aliado a José Augusto Dudu Vieira Ranieri como vice, Nilson foi reeleito em 2000. Dudu foi ser presidente do Departamento de Água e Esgoto. Romperam durante o mandato. Por diversas questões administrativas controversas, Nilson foi cassado em 19 de setembro de 2003. Dudu Ranieri assumiu o cargo de prefeito até 13 de outubro desse ano, quando Nilson, mediante decisão da Justiça, conseguiu retornar ao cargo e concluir seu mandato. Após, o relacionamento político entre ambos esfriou.

Verifica-se nesses dois mandatos, a divergência existente nas ações do prefeito e de seu vice, geralmente ocupando concomitantemente um cargo político na gestão municipal, a partir de 1996. Mais ameno, nas eleições de 2004, na aliança de Tuga Angerami com Renato Purini, representando o PMDB, depois de um período de convivência pacífica, quando Purini administrava a Emdurb, houve um distanciamento de ambos, depois que ele afastou-se do cargo.

Concluindo, observa-se que, se no período em que as eleições de prefeito e vice eram descasadas, não havia grandes divergências entre prefeito e vice, geralmente membros de partidos diferentes, o inverso ocorreu com a adoção da eleição casada, quando votando no prefeito o eleitor estaria também votando no candidato a vice. Porquê então nas alianças recentes o resultado final é o distanciamento entre os aliados?

Numa entrevista sobre eleições que fiz na TV Câmara em outubro último, sendo entrevistador o jornalista Nelson Gonçalves, questionei com ele o motivo desses rompimentos. Um componente forte aventado por Nelson, foi a necessidade de uso eleitoral do tempo de televisão e rádio, onde os partidos se unem para obterem maior espaço publicitário às suas inserções políticas, deixando num segundo plano os programas de governo e as posições ideológicas. Concordei com ele. O objetivo maior dessas alianças é eleger-se. Mesmo que o conflito entre os grupos aliados aconteça no futuro.

O autor, Irineu Azevedo Bastos, é articulista do JC

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