Quando uma mulher passa por uma vitrine de calçados e se encanta com um sapato, a venda é certa. A compra que nem sempre é sinônimo de necessidade movimenta uma cadeia de produção e garante o emprego de milhões de trabalhadores. Por isso, a indústria calçadista de Jaú (47 quilômetros) aposta no designer, na criatividade, na tecnologia e na inteligência para superar os obstáculos impostos pela concorrência chinesa e para vencer as surpresas climáticas.
A concorrência da produção chinesa afeta o mercado externo enquanto que as surpresas climáticas, o interno. Para superar esses impedimentos que resultaram em um aumento de 17% nas demissões de 2007 para 2008, o Sindicato da Indústria do Calçado de Jaú investe em parcerias que possa fornecer informações essenciais para que o fabricante não aposte em sandálias quando o clima pedir botas.
Acertar a ‘bússola’ das necessidades do mercado com a fabricação é quase um ‘quebra- cabeça’, explica o vice presidente da entidade Caetano Bianco Neto. A tendência, na opinião dele, é que as vitrines de calçados brasileiras passem a ser como muitas do exterior.
“Temos que ter muita informação. Inclusive um projetos em parceria com Sebrae promete monitorar as mudanças climáticas e falar antecipadamente, como será cada estação, direcionando os fabricantes. Nas vitrines de Milão, Madrid e Nova York é possível ver na mesma vitrine, uma bota ao lado de uma sandália rasteira. A médio prazo as vitrines brasileiras vão ficar assim.”
Para ele o que influenciou o mercado negativamente é a crise, mas não somente ela. “A crise pegou todo mundo. A população está endividada. O clima também não cooperou, atrapalhou. Não tivemos um verão definido como a estação bem quente a partir de outubro se prolongando até dezembro.”
Para vender as sandálias abertas é necessário que a mulher entre no clima, tome um sol, fique bronzeada e isso não aconteceu, segundo Bianco Neto. “Temos um empreendimento novo em São Paulo, com 30 lojas de fábrica. Em outubro e novembro vendemos botas. Os empresário se prepararam com sandálias e não vendeu sandálias. Hoje na Capital o que mais vende é o sapato baixo fechado, bico aberto com traseiro fechado.”
Enquanto o acesso as informações ainda não são satisfatórios, os fabricantes investem no designer, na criatividade para conquistar e encantar as mulheres, público alvo das indústrias de Jaú. “As classes A, B e até C não compra sapatos porque precisa e sim porque se encanta. Temos que trabalhar com esse encantamento. Fabricar um sapato que faça a mulher entrar na loja e comprar.”