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Musicalização na rede municipal


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Estou literalmente assustado, decepcionado e me perguntando até quando a palavra musicalização vai continuar sendo banalizada, inclusive por setores que consideramos serem mais coerentes com o processo educacional na rede municipal de Bauru. Será que as pessoas que se reuniram ainda pensam que musicalização ainda se restringe a bandinha rítmica, banda de pau e lata, “canticozinhos” esdrúxulos, Cdezinhos idiotas e por aí adiante?

Façam-me o favor de pensarem como educadores na verdadeira acepção da palavra, pois musicalizar é sério, exige profissionais qualificados, com conhecimento, com estágio comprobatório na área musical. Se a Bauru Sem Limites possui uma instituição que possui formação em nível superior em Educação Musical, qual a razão de esses futuros profissionais ou já profissionais que acabam de se graduar não foram lembrados para essa “reunião”?

Não estou aqui fazendo demérito a nenhum dos músicos que estiveram presentes a esse encontro, valorizo cada um deles, mas não posso aceitar que a instituição que possui esta graduação tenha ficado fora de algo tão importante na evolução musical do município. Inaceitável, afinal, as instituições universitárias têm muito com o que colaborar com a evolução musical da cidade. Será que vamos viver outra vez o famoso Q.I. (quem indica) para suprir essa necessidade musical que por hora se apresenta?

No meu entender não é porque alguém é violinista, violoncelista, trompetista, percussionistas, pianista, regente, necessariamente seja um Educador Musical. Para este fim, se exige formação adequada, centrada, equilibrada e profissional. Então qual a razão de o MEC exigir tanto das instituições superiores se a Lei Federal 11769/08 não deixa claro se é preciso ter uma formação acadêmica e ou autorização de um órgão, para dizer quem pode ensinar ou não, deixa muito aberto para quem não tem nenhuma formação musical regular tomar o lugar de quem se esforçou muito para poder terminar um curso universitário. Penso que a lei já começo equivocada, pois possibilita inúmeros acidentes pedagógicos na área musical.

Há que se entender primeiramente quais são os processos de ensino-aprendizagem da Educação Musical e a partir daí planejar e estabelecer um concurso de seleção de profissionais da área para que ao final tenhamos a sensação de que valeu a pena estudar, em se profissionalizar em Música, pois se assim não for, amanhã abro um “consultório odontológico”, depois de amanhã vou ser “médico no SUS”, na semana seguinte começarei atender em “meu consultório psiquiátrico”, enfim, a idéia que fica é de que tudo é possível. Seria uma vergonha a nova administração que se diz tão transparente agir de maneira tão turva. Mas, como dizem, Bauru é Sem Limites... Então não devemos nos surpreender!

O autor, João Fernando Paluan, é professor de música e regente musical)

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