• Realidade bate à porta
Após a lua-de-mel, o realismo e a convivência com o universo concreto das dificuldades de gestão já estão sobre a mesa do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). Ontem, após reunião com a área de Finanças, o chefe do Executivo tomou a decisão de contingenciar (guardar) parte dos milhões que estão no caixa, deixados pelo governo Tuga Angerami como superávit.
• Definição do “Aurélio”
O contingencionamento é utilizado em larga escala no orçamento federal, mas mais com a finalidade de limitar investimentos para atingir as metas do superávit primário, as famosas economias de receita para guardar dinheiro para pagar os juros da dívida. No dicionário do Aurélio, contingenciar define, por si, a medida adotada em Bauru: “incerteza sobre se uma coisa acontecerá ou não”.
• A iminência da crise
Na prática, como os resultados da indústria e, com isso, a arrecadação de ICMS foram ruins no último trimestre de 2008, o prefeito bauruense se viu na situação inevitável de se precaver, tendo de guardar pelo menos uma parte dos mais de R$ 20 milhões que Tuga deixou no caixa para enfrentar eventuais dissabores no segundo semestre, caso a arrecadação não atenda às expectativas.
• Programa de asfalto
Mas como, de outro lado, não há que se falar em cenário catastrófico e não há nenhuma certeza de que a economia irá tão mal assim (senão o mercado já teria apontado esse viés de pessimismo exacerbado), o prefeito decidiu garantir que pelo menos uma parte desse superávit (que é sobra de verba em caixa) para investir em asfalto. De quanto será o investimento é que ainda será definido neste mês.
• Demanda estudantil
Em visita a unidades escolares para redefinir o cronograma de reformas e ampliações para este ano, a secretária municipal de Educação, Majô Jandreice, apontou, ontem, dados preocupantes. A demanda já em 2009 por vagas é de 1.500 alunos, grande parte por creches.
• Previsões para 2010
Já para 2010, o número estimado de alunos esperando vagas apontado pela Secretaria Municipal de Educação, que abrange o chamado nono ano, é de 5.000 estudantes. O Jardim Tangarás e a Pousada da Esperança são alguns dos bairros que terão de receber melhorias em suas unidades com prioridade para suprir a demanda.
• Serviço emergencial
A força-tarefa de limpeza desencadeada pelo novo governo municipal, de fato, tem de ser encarada como esforço emergencial para colocar as principais ruas e praças em estado de melhor visual. O trabalho reflete, na prática, a falta de equipes - tanto de maquinário e ferramentas quanto de pessoal - na administração municipal para atender à demanda normal.
• Mutirão nas escolas
Em plena temporada das chuvas, o mutirão municipal, com o que se pode ter de gente e ferramentas, está agora percorrendo as escolas, já que as aulas estão por começar. Passada a correria da emergência, o prefeito Rodrigo Agostinho terá de se planejar para que a demanda recorrente seja atendida como ação costumeira – e previsível - em 2010. É, a realidade começa mesmo a dar as caras...