Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou ontem decretos que limitam o consumo de combustível e as emissões de gases do efeito estufa pelos automóveis. O democrata afirmou em coletiva que as medidas criarão 450 mil empregos na área energética e que economizarão U$ 2 bilhões aos americanos.
“(A medida) colocará 450 mil americanos para trabalhar com investimentos em energia limpa, permitirá dobrar a energia alternativa em três anos e criará uma economia de US$ 2 bilhões por fazer os prédios federais mais eficientes no consumo”, disse Obama, em coletiva na qual não poupou críticas ao legado de seu antecessor, George W. Bush.
“O tempo de Washington se arrastar acabou”, disse Obama. “Quero deixar claro que fizemos nossa escolha, não seremos mais reféns de regimes hostis e de um planeta em aquecimento. É hora de escolher um futuro que é mais seguro para o país e para o planeta.”
Obama afirmou ainda que, com a aprovação do Congresso, vai aumentar os padrões de eficiência do consumo de combustível dos veículos das atuais 27,5 milhas por galão para 35 milhas por galão. “Isso pode representar uma economia de dois milhões de barris de petróleo por dia, quase todo o petróleo que importamos do Golfo Pérsico”, disse Obama, acrescentando que as indústrias terão até 2011 para se adequar ao novo padrão.
A administração Bush tentou encerrar o ano de 2008 com os novos padrões de regulamentação da eficiência, mas desistiu diante da crise financeira e de seus graves efeitos na indústria automobilística.
Na entrevista coletiva, Obama ressaltou diversas vezes que as medidas não visam prejudicar a já enfraquecida indústria automobilística e sim permitir que elas de adaptem às necessidades do futuro e que sejam competitivas.
“Queremos quebrar o ciclo de dependência de energia e garantir que nossa indústria automobilística seja competitiva. (...) Nosso objetivo não é ser um fardo sobre a indústria que sofre com a crise, mas ajudá-la a ser competitiva, produzir os carros de amanhã e galvanizar a empresa para os anos que estão por vir”, afirmou o democrata, que assumiu a Casa Branca na terça-feira passada com promessas de investir no ambiente e no combate ao aquecimento global.
A mudança atende a um pedido do governo californiano para a revisão da lei. O governo de Arnold Schwarzenegger tem como prioridade os temas ambientais e quer reduzir em 30% a emissão de gases poluentes dos veículos, até 2016.
Especialista em clima
O advogado especialista em ambiente Todd Stern foi nomeado pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, emissário especial dos Estados Unidos para aquecimento global, ontem. Em cerimônia no Departamento de Estado, os dois prometeram atuar para obter acordos multilaterais na área do clima e para convencer outros países a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa drasticamente.
“Nos próximos anos, faremos grandes mudanças no modo como lidamos com isso”, afirmou Stern. “Precisaremos de um novo acordo multilateral.” O advogado, que trabalhou na gestão do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001) ao lado do ex-vice Al Gore - que, mais tarde, levaria um Nobel por seu envolvimento com as questões climáticas -, ressaltou ainda a necessidade de incentivar o surgimento de “novas tecnologias” e de se manter a “boa vontade política”. Com a indicação, Obama, estabelece mais uma ruptura em relação ao governo de Bush.