Brasília - Numa disputa por cargos, visibilidade e poder, o PR e o PDT provocaram ontem o adiamento da composição final da Mesa Diretora do Senado, cuja estrutura geral pode chegar a até 754 cargos: os dois partidos exigem a quarta-secretaria, que, além de um amplo gabinete, dá direito a até 92 funcionários extras.
Pelo tamanho das bancadas, o PDT (cinco senadores) tem direito ao posto. Mas a vaga foi prometida ao PR (quatro senadores) em troca do apoio a José Sarney (PMDB-AP), eleito presidente da Casa anteontem.
Essa disputa vem atrasando a definição da Mesa. Houve duas reuniões ontem, mas não se chegou a um acordo: só foram definidos os nomes das vagas para as quais havia consenso.
Em votação única (cujo resultado foi 71 votos contra 6), Marconi Perillo (PSDB-GO) foi eleito primeiro-vice-presidente; Serys Slhessarenko (PT-MT), a segunda-vice; Heráclito Fortes (DEM-PI), o primeiro-secretário; João Vicente Claudino (PTB-PI), o segundo-secretário; e Mão Santa (PMDB-PI), o terceiro-secretário.
Alguns partidos preferiram indicar para a Mesa senadores que deverão disputar a eleição de 2010 e contam com os cargos para se reeleger. É o caso de Marconi Perillo (PSDB-GO), que poderá disputar de novo governo de Goiás. Dos sete novos integrantes da Mesa, apenas João Vicente Claudino e Sarney têm mandato até 2015.
O Senado tem em média 30 servidores por gabinete. No caso da Mesa, o primeiro-secretário tem direito a mais 9 servidores efetivos e a 14 vagas comissionadas, que podem ser subdivididas em até 91 pessoas -desde que não supere o valor total para as 14 vagas, com salários que vão de R$ 7.700 a R$ 9.000.
A estrutura dos gabinetes da Mesa é uma das explicações do interesse pelos cargos, que têm poucas atribuições. A mais importante do primeiro vice-presidente é substituir o presidente nas suas ausências; já ao segundo-vice compete apenas “substituir o primeiro-vice”.
São atribuições do segundo-secretário do Senado lavrar as atas das sessões secretas. O terceiro e o quarto secretários devem fazer a chamada dos senadores e contar os votos. Mas os senadores da Mesa participam de decisões colegiadas sobre temas administrativos, como aumentos de gratificações, planos de saúde e criação de cargos.
Findo o embate pela Mesa -cujo desfecho deve ocorrer hoje-, os senadores darão início a outra batalha: definir os presidentes das 11 comissões.