Buenos Aires - Os produtores rurais da Argentina anunciaram ontem locaute de quatro dias, a partir de amanhã, em protesto contra a política agrícola do governo Cristina Kirchner.O anúncio de interrupção na venda de carne e grãos foi feito pouco após o governo convocar o setor para uma reunião na próxima terça-feira. Os ruralistas aceitaram o chamado, mas mantiveram o locaute. “Fomos enrolados, deixados de lado e agredidos, e acreditamos representar a opinião dos homens do campo com essas medidas”, afirmou Mario Llambías, presidente da CRA (Confederações Rurais Argentinas).
A decisão do campo foi ainda uma resposta a uma suposta tentativa do governo de dividir as lideranças ruralistas. Na noite de ontem, o governo revelou contatos secretos que vinha mantendo nos últimos meses com Hugo Biolcati, presidente da Sociedade Rural. Biolcati afirmou que não revelara os encontros porque o governo lhe havia pedido “estrita confidencialidade”. “Se a intenção foi quebrar a Mesa de Diálogo (que reúne as quatro entidades), aqui está a resposta.” A tensão aumentou neste verão, agravada pelas perdas provocadas pela maior seca no país em 50 anos. Projeções apontam queda de até 40% em valor na produção da safra 2008/09.
Bispo será expulso
O governo da Argentina anunciou ontem que o bispo britânico Richard Williamson, que negou a dimensão do Holocausto de judeus por nazistas, deve deixar o país, onde faz trabalhos religiosos, em até dez dias. “O ministro do Interior (...) ordena a Richard Nelson Williamson que deixe o país dentro de dez dias ou ele será expulso”, informou o governo em uma declaração, sobre a decisão do ministro Florencio Randazzo.
As autoridades argentinas alegaram que o bispo ultraconservador “fraudou reiteradamente o verdadeiro motivo de sua permanência no país”.