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Programas movimentam corpo e mente

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Na última década, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de idosos cresceu 47,8%. Atualmente, o País tem mais de 20 milhões de pessoas acima de 60 anos, o que equivale a 10,5% do total de habitantes. A queda da taxa de fecundidade e o aumento da expectativa de vida são apontados como as principais razões para esse crescimento.

Segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais 2008, divulgada pelo IBGE, a expectativa de vida do brasileiro cresceu mais de três anos na última década e passou de 69,3 anos, em 1997, para 72,7 anos, em 2007. As mulheres ainda vivem mais tempo: em média 76,5 anos, contra os 69 anos vividos pelos homens.

Para atender a esse público cada vez maior, existem programas que procuram estimular a convivência entre eles, além de oferecer atividades físicas, intelectuais e culturais, que ajudam a tornar a velhice mais saudável.

Em Bauru, esses programas voltados para o grupo da Terceira Idade podem ser encontrados no Sesc, no Sesi, na Universidade de Sagrado Coração (USC) e na Associação Luso Brasileira, para citar apenas alguns.

Um dos mais antigos é o Projeto Suavidade, que existe há cerca de oito anos e atualmente tem a Luso como sede. A coordenadora, Norma Cordeiro, diz que o projeto nasceu exatamente com a proposta de oferecer mais qualidade de vida aos idosos. O programa alia atividades recreativas com atividades culturais, artísticas e sociais.

Ela lembra que o grupo já fez várias viagens para o Nordeste, foi duas vezes para a Europa, assistiu a peças de teatro em São Paulo e fez compras em cidades como Jaú, Ibitinga, Porto Ferreira, entre outras. Em Bauru, os integrantes têm o costume de ir ao cinema e sair para comer pizza, além de outras atividades.

A programação inclui ainda palestras sobre diversos temas, aulas de espanhol, pintura, bordado, artesanato, bailes, chás da tarde e outras atrações que servem para estimular o convívio social entre os idosos.

“Quando estão trabalhando, eles têm uma vida plena, estão sempre engajados e em contato com outras pessoas. Quando aposentam, perdem esse contato e ficam restritos apenas ao convívio familiar. Nós procuramos com o programa fazer com que eles voltem a se relacionar com pessoas diferentes”, comenta Cordeiro, para quem é visível a transformação para melhor que esse relacionamento provoca na vida dos idosos.

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Saia de casa e divirta-se

Para Takagi Takao, mais conhecido como ‘seo’ Júlio, o segredo para chegar aos 90 anos com saúde e muita disposição é não cometer excessos, procurar se divertir, fazer o que gosta e colocar o corpo em movimento. “Não tem segredo”, afirma ele quando questionado sobre como chegar aos 90 anos com uma saúde e cabeça tão boas.

“Acho que é muita pescaria”, brinca Júlio, fazendo referência a uma das coisas que ele mais gosta de fazer. Mesmo agora, com toda essa idade, ele ainda mantém firme seu “compromisso” de pescar todos os sábados. É um compromisso que assumido com ele mesmo, porque isso o deixa feliz.

Duas vezes por semana, ele faz alongamentos e pedala na bicicleta ergométrica da academia. No quesito alimentação, Júlio diz que adora feijoada e carne de porco. Fritura, come muito pouco. Bebida alcoólica, quase nunca.

Apesar da idade, o homem tem uma saúde perfeita, não sente dor e está sempre bem disposto. Uma das poucas coisas que a idade lhe tomou foi a visão. Ele ainda enxerga, mas bem menos do que antes. Por causa disso, deixou de lado duas atividades que lhe davam muito prazer: escrever cartas e ler mangá - um gênero da literatura japonesa, caracterizado pelas histórias em quadrinhos. Mas ele está confiante que voltará a enxergar melhor após a cirurgia de catarata.

Quando jovem, Júlio era um atleta, mais especificamente um maratonista. Ele participou de muitas competições promovidas pela colônia japonesa. Sua especialidade eram as maratonas de 5 mil a 10 mil metros de percurso.

O militar aposentado Carlos Brasil Santos, 62 anos, também fez muito exercício em sua vida. Ele fez parte do Exército, viajou e morou em diversos pontos do País e escolheu Bauru para desfrutar sua aposentadoria.

A escolha pela Cidade Sem Limites se deveu ao fato daqui ter sido um dos últimos lugares onde morou e onde estavam seus amigos mais recentes. Segundo ele e a esposa, Maria Rosa Gomes Santos, 65 anos, ter uma rede de amigos na cidade foi decisivo na hora de escolher onde morar.

“Ter amigos é muito importante, não só para os idosos, mas para qualquer um”, afirma. Na opinião dele, se o idoso ficar em casa trancado com seus problemas, ele ficará doente num espaço de tempo muito curto. E ficar em casa é o que o casal menos faz. Eles estão sempre envolvidos com alguma atividade.

Maria Rosa, por exemplo, participa todas as segundas, terças, quintas e sextas das atividades voltadas para a Terceira Idade na Associação Luso Brasileira. Na quinta-feira, ela arruma ainda tempo para trabalhar como voluntária na Maternidade Santa Isabel. Lá, ela passa em todos os quartos para saber se está faltando algo para as mães e para os filhos recém-nascidos. Além de levar camisolas, fraldas, sabonetes, pasta de dente, escovas, etc, aproveita para conversar e fazer amizade com as mães.

Brasil, por sua vez, descobriu uma habilidade que não imaginava que tinha. Quem olha para os quadros pendurados na sala de estar da casa fica admirado com a qualidade das pinturas. Ele freqüenta as aulas todas as quartas-feiras e cada vez mais vai aprimorando a técnica. Segundo ele, é uma maneira de manter a mente ocupada com algo produtivo.

Com isso, passa momentos agradáveis e ainda evita alguns males próprios da idade, como, por exemplo, a depressão. Além da atividade artística, ele e a esposa estão sempre caminhando para manter o condicionamento físico em boas condições.

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