Cultura

Nada emo, banda faz rock de ‘brincadeira’

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

Um hardcore sacana, descompromissado e irreverente, acompanhado de letras divertidas, temperadas com muita zoação e uma pitada de deboche. Essa é a receita do quinteto Cueio Limão, do Mato Grosso do Sul, que lança “Paraguayo”, seu terceiro CD.

Formada há sete anos, a banda começou quando cinco garotos resolveram se reunir para tocar hardcore, fazendo covers do Dead Fish, NOFX, Lagwagon, Raimundos e Me First and the Gimme Gimmes. Hoje, depois do destaque no cenário underground brasileiro e shows por todo o País, “Paraguayo” segue a fórmula do estilo engraçado que resultou no sucesso de seus dois primeiros discos, “Quem Matou o Bozo?” e “Rockstar”.

“Continuamos na nossa pegada, que é o humor, porque não queremos nem sabemos falar de amor, política ou fazer crítica social. Não é disso que gostamos de falar em música”, diz o vocalista Camilo Bóia, em entrevista ao JC Cultura. Para o músico, um show da banda é sinônimo de diversão. “Quando alguém vai ao nosso show, queremos que se divirta, saia dali alegre e com a alma lavada. Não queremos emocionar ninguém, queremos é que a pessoa se divirta”, completa.

Apesar de ser concebido dentro da mesma proposta, o novo trabalho - composto de 14 faixas inéditas - mostra o amadurecimento e evolução musical do grupo. “Crescemos muito. Esse disco foi mais bem pensado, com um cuidado maior dedicado a cada música. Adquirimos experiência tanto de estrada, como da própria produção mesmo. O resultado foi um trabalho muito mais maduro e com uma qualidade bem maior”, acredita Bóia sobre o CD, que conta com a produção de Rafael Ramos, descobridor do grupo Mamonas Assasinas, além de assinar trabalhos de João Donato, Los Hermanos e Pitty. O tom irreverente está em todas as músicas, como percebe-se por alguns títulos: “Take Me Back To Piauí” e “Se o Céu Não Tem Cerveja”. Com exceção de “Desgraçada”, de Lucas Silveira, do Fresno, e “Garota Suvaqueira”, de Pêu Barbosa, todas as outras composições são de autoria do grupo.

Quanto às letras engraçadas, o músico explica que vão surgindo de “piadas internas” trocadas o tempo todo pelos músicos. “Elas nascem do nosso dia-a-dia mesmo. Tiramos sarro um do outro a toda hora. Ficamos muito tempo na estrada, dentro de van, de hotel, então para quebrar um pouco essa parte, que é a mais chata do trabalho, o que nos resta é sacanear os outros”, entrega o vocalista.

Surpresa

Para o músico, chega a ser surpreendente como piadas internas do grupo chegam a conquistar tanto o público. “Principalmente no primeiro disco, 80% das músicas contêm ‘tiradas’ próprias da banda. Chega a ser engraçado o modo como tivemos destaque nacional com letras que faziam sentido só para nós. Talvez seja a mesma coisa que aconteça com o nome: a galera assimilou porque simplesmente achou engraçado, sonoro e original”, acredita.

Falando em nome, segundo Bóia, Cueio Limão nasceu em um momento desesperado em que o quinteto necessitava de um título. “Era nosso primeiro show e íamos tocar em um aniversário de um amigo. Precisávamos de qualquer jeito de um nome. Como tinha tanta banda legal com nome de bicho e fruta, como Pato Fu, Boi Mamão, então saiu Cueio Limão, que é como falamos coelho aqui no Interior”, brinca o músico, natural de Dourados (MS).

“Colocamos esse nome sem muita pretensão de que fosse durar muito tempo. Achamos que depois ia surgir outro e iríamos trocar. Mas acabou que todo mundo gostou e foi ficando. Acho que um dos pontos fortes da banda é o nome ter esse mistério e essa falta total de sentido”, completa.

Além de Bóia, formam a Cueio Limão Mano Torquato (guitarra), André Fileta (guitarra), Igor Moderno (baixo) e André Mattera (bateria), em substituição a Bigorna que optou dedicar-se à medicina, no ano passado, com a vinda do grupo para São Paulo.

Para quem quiser conhecer mais o trabalho do quinteto, no MySpace do grupo (www.myspace.com/cueiolimao), é possível ouvir outras faixas do CD.

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