Polícia

Adolescente de 15 anos é ferido na virilha por disparo acidental

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Um adolescente de 15 anos, morador do Parque Jaraguá, foi atingido ontem pela manhã por um tiro próximo à virilha. O projétil partiu de um revólver 38, manipulado pelo tio do garoto, um adolescente de 17 anos. Ambos estavam na casa da vítima, na quadra 3 da avenida Gabriel Rabello de Andrade, quando o acidente aconteceu. Era por volta das 11h30.

“Ele veio me mostrar a arma. Eu peguei e disparou”, conta o rapaz de 17 anos. Desesperado, ele pegou o sobrinho no colo, parou um carro que passava pela avenida e pediu para levá-los ao Pronto-Socorro Central (PSC). “Ele sentia muita dor. No caminho, falou que estava passando mal, que as vistas estavam escurecendo”, comenta o tio com a reportagem. Banhado por sangue, demonstrava preocupação com a vítima enquanto aguardava no plantão da Polícia Civil.

O garoto de 15 anos perdeu muito sangue por conta da bala, que transfixou sua perna. Até o fechamento dessa edição, ele estava internado em estado regular na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital de Base (HB), onde passou por cirurgia.

Segundo funcionários do PSC, quando o caso chegou ao local, o comentário era de bala perdida. No entanto, depois que a Polícia Militar (PM) foi acionada, apurou o disparo acidental. Questionado pelos policiais, o tio informou que a arma estava na casa da vítima, para onde seguiram. Por lá, a mãe do garoto de 15 e também irmã do de 17, explicou aos policiais que os dois revólveres 38 haviam sido levados de lá por um homem, de 21 anos.

No caminho, o encontraram. Logo de cara, informou que as armas não eram suas e apontou onde as havia escondido. Estavam dentro de uma necessaire, acondicionada dentro de outra bolsa, sob uma moita, num terreno baldio em frente à casa do adolescente de 17 anos. Junto com os dois 38 (sendo um de numeração raspada), os policiais ainda encontraram 57 munições intactas calibre 38, uma cápsula deflagrada e nove cartuchos íntegros de calibre 22.

Todos foram apreendidos no plantão da Polícia Civil, onde o delegado Luís Carlos Amado registrou a ocorrência como lesão corporal culposa, apreensão de arma de fogo e munições e ato infracional. Tomou a decisão porque ainda não havia sido identificado o proprietário das armas. Depois das investigações, a serem realizadas pelo 1º Distrito Policial, o responsável por elas poderá responder pela lesão corporal ou pela conseqüência do fato, seja ela qual for.

“Também vai ter que ser apurado como a arma foi parar na mão deles. Se pegaram escondido ou não”, explica Amado. Pelo estatuto do desarmamento, o responsável pelos revólveres infringiu o artigo 12, que prevê detenção de um a três anos e multa àquele que possui ou mantém sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição de uso permitido, em desacordo com determinação legal, no interior de sua residência.

Todos os envolvidos foram liberados. O nome dos adolescentes não foi divulgado em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A mãe da vítima preferiu não se manifestar sobre o assunto. O pai informou que ambos os garotos são tranqüilos.

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