O nível de atividade na indústria paulista interrompeu a queda que vinha sendo verificada desde outubro do ano passado e voltou a crescer em janeiro deste ano. De acordo com levantamento divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), no resultado com ajuste sazonal, houve uma alta de 6,2% em janeiro ante dezembro.
Para o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino, a melhora registrada no Estado corresponde à realidade observada em Bauru. Depois de uma onda de demissões e de retração econômica no setor industrial, em janeiro as fábricas começaram a retomar o ritmo de produção (alta de 2,3% em relação ao mês anterior) e, em fevereiro, os postos de trabalho, aos poucos, começavam a ser recuperados.
No entanto, frente ao Indicador de Nível de Atividade (INA) registrado no último trimestre de 2008, que acumulou queda de 20%, Malandrino aponta a retomada como um “avanço relativo”. “É o mesmo que um aluno que tirou nota 1 na prova do mês passado tirar 2 na prova seguinte. Ele melhorou 100%, mas ainda não é um resultado ótimo. Mesmo assim, sem dúvidas, é melhor ganhar uma nota maior do que a anterior”, frisa.
Sem o ajuste sazonal, o INA aumentou 0,9% entre dezembro e janeiro. Mas, na comparação com janeiro de 2008, a atividade industrial paulista recuou 15,7%. Segundo Malandrino, a expressiva variação de atividade ocorrida nesse espaço de tempo foi provocada pelos reflexos da crise econômica mundial no Brasil, entre novembro e dezembro do ano passado.
Em 2009, conforme avalia o diretor regional do Ciesp, as empresas deverão procurar se ajustar à nova condição econômica. Embora os índices atuais do INA apontem para uma possível recuperação do setor, ele acredita que o comportamento da economia ainda trará muitos desafios para as indústrias. “Em médio prazo, as circunstâncias ainda serão negativas. Então as empresas precisam procurar as entidades representativas, sindicatos e associações para traçar um plano de manutenção dos empregos, para não diminuir novamente o ritmo de produção”, alerta.
Tarefa árdua
De acordo com projeção das entidades, no nível em que está hoje, o INA precisaria crescer 2,1% todos os meses, a partir de fevereiro, para manter a média obtida pelo indicador em 2008 – ou seja, com crescimento zero em 2009. “Isso dá uma dimensão do tamanho do problema que o setor ainda tem pela frente. A tarefa será muito árdua mas, se conseguirmos nos manter no mesmo nível do ano passado, já será um resultado excelente”, ressalta.
Na pesquisa, o setor de minerais não metálicos – impulsionado em Bauru pela construção civil, segmento de produtos plásticos e têxteis – é o que se destaca por manter um desempenho acima da média. Em comparação aos demais segmentos, foi o que teve queda menos acentuada (-5%) diante de janeiro passado, e crescimento de 4,1% na passagem mensal.
“A construção civil é uma atividade que possui um ciclo produtivo longo e demora para desacelerar diante de uma crise. Se o setor tiver comportamento negativo, será só a partir de abril”, analisa o diretor regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Luiz Miranda Simonelli.
Já na Metalúrgica Básica, representada principalmente pela siderurgia, ocorre o contrário. O setor experimentou uma queda expressiva de 38,7% na comparação entre os meses de janeiro, e não apresentou recuperação em relação a dezembro: com ajuste, houve queda de 6,2% no primeiro mês do ano.
O setor de metalurgia, do qual Bauru não depende fortemente, vem registrando perdas seguidas em termos de volume de transações e preços. No mercado interno, o prejuízo é registrado, principalmente, pela cadeia do setor automobilístico.
“Há setores que estão com melhor desempenho que outros, mas a maior dificuldade de todos é a falta de acesso ao crédito ao consumidor. Para retomar a produção, a indústria precisa escoar os altos estoques e, para isso, depende do estímulo ao consumo, o que não vai ocorrer se não houver dinheiro no mercado”, conclui Simonelli.