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Estado vai fiscalizar erradicação dos pés de laranja com greening

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

Para tentar combater o greening, doença que ataca as folhas da laranjeira e que pode acabar com o pomar inteiro em pouco tempo, a saída é radical: cortar a planta afetada. Para garantir o cumprimento da determinação dos órgãos de defesa sanitária, agora, além de o citricultor ter a obrigação de inspecionar seu pomar, no mínimo, a cada três meses para erradicar as plantas doentes, ele está sujeito à fiscalização do governo do Estado.

As novas regras estão na Instrução Normativa número 53, editada pelo Ministério da Agricultura e foi assunto de uma reunião realizada ontem em Bauru. Com o objetivo de acabar com a praga, o diretor da Defesa Vegetal da Coordenadoria de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo (CDA), Mario Sérgio Tomazela, orientou profissionais da área sobre as novas regras de combate ao greening.

Tomazela explicou que a CDA atuará na fiscalização direta para checar se o citricultor está cumprindo a norma e eliminando as plantas doentes. “Estamos diante da pior doença de citrus, e isso preocupa. Por isso, é preciso uma ação conjunta do setor e dos produtores para conseguirmos manter a doença sob controle”, acrescenta.

Os produtores que não fizerem a erradicação das plantas com greening estão sujeitos a multa que varia de R$ 1.500,00 a R$ 7.500,00. A região de Bauru representa, atualmente, cerca de 10% da produção estadual de laranja. Até 2012, quando grande parte dos pomares estará adulto, o percentual será de até 25%, segundo estimativas da Citrisul, uma associação em formatação que concentrará produtores de ao menos 37 municípios da região.

A participação da região na produção mundial de laranja chega a 4,7%, segundo a associação. Seus produtores somam, juntos, aproximadamente 25 milhões de pés da fruta, em uma área de 60 mil hectares. Dono da maior citricultura do mundo, que representa R$ 1,5 bilhão em exportações, o Estado de São Paulo teve 213 municípios com casos confirmados da doença. Hoje, cerca de 40% dos pomares têm a praga.

Segundo Tomazela, o greening vai socializar a agricultura. “Para combater a doença, não basta um produtor apenas fazer o controle, todos devem trabalhar em conjunto. Por isso, costumo dizer que o greening vai socializar a agricultura”, finaliza.

A doença surgiu no Brasil em 2004 e os primeiros casos foram detectados na região de Araraquara. A praga é causada por uma bactéria, transmitida por um inseto pequeno, que ataca os vasos das folhas, que ficam amareladas. Daí, os frutos não se desenvolvem.

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Inspeção

O Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) realiza, entre março e abril, o levantamento por amostra do greening no parque citrícola de São Paulo. O objetivo do trabalho é identificar qual o cenário atual da doença, considerada a pior da citricultura, e também conhecer o nível de incidência em todas as regiões. O trabalho será realizado por 250 inspetores, que percorrerão 9,6 mil talhões, ou 2 milhões de plantas, ou 10% das árvores.

O trabalho de vistoria dos pomares custará R$ 600 mil. No levantamento realizado em abril do ano passado, a doença foi constatada em 18,57% dos talhões de São Paulo, o que representou um aumento de 47,4% em relação a 2007. Mais informações sobre a doença no telefone 0800-770-7770.

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