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Moda indiana é cultural

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Está certo que com um calor de 35 graus ninguém agüenta andar de sari cobrindo o ombro e enrolado no corpo. Mas que a moda indiana pegou ou tem tudo para pegar quando o outono-inverno chegar não há a menor dúvida. As vitrines das lojas populares e das refinadas já estampam a novidade, que passam pelos acessórios, calçados, maquiagem e até comida.

O quê? Isso mesmo. Nunca se vendeu tanto curry, pimenta, gengibre e outros temperos nas delicatessens da cidade. Prova de que o pessoal anda aromatizando mais seus quitutes, lançando-se nessa onda do Oriente.

Bem antes da novela estrear e do filme bombar na festa da Academia Hollywoodiana para Bollywoodi comemorar, o coordenador da área de moda do Senac Bauru, Odil Zepper, o Juba, já previa essa tendência. Em novembro, Juba apontou, em sua apresentação de tendências para o inverno 2009, que a Índia influenciaria a moda “com estampas ornamentais, brilhos e profusão de dourados”.

“As gazes (tecidos leves) - adiantava - aparecem tramadas a fios metalizados, peças que podem ser coordenadas com jeans e tecidos pesados”.

Uma moda que resgata o estilo de vida positivo e a vontade de melhorar o mundo.

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De Bauru para a Índia

Empresária já foi à índia mais de cinco vezes e detalha o que e como usam as mulheres da terra de Gandhi

Cristina Atarian Ranchod, proprietária de uma escola de idiomas em Bauru, aderiu aos trajes indianos há duas décadas e os aprovou de imediato. Descendente de armênios e casada com o filho de um indiano, Kishorbhai Ranchod, nascido na África do Sul, tomou desde a juventude gosto pelos elementos que compõem o vestuário de lá.

Com cinco ou seis passagens pela Índia, Cristina tem gabarito para falar sobre a cultura desse país mágico e dar dicas para quem quer usar trajes indianos.

Lembra que a Índia, assim como o Brasil, é cheia de contrastes. O traje usado no Sul (onde a temperatura chega aos 40 graus) não é o mesmo do Norte, próximo ao Himalaia, onde faz frio, requerendo peças mais pesadas. “Nessa região, encontram-se mulheres de pele clara e olhos verdes. Um biotipo raro na Índia”.

Desde pequenas, as mulheres são estimuladas a cuidar do corpo. “Minhas sobrinhas, desde crianças, passam óleo de coco nos cabelos”. Para a cerimônia de casamento, preparam o corpo com uma mistura de curcuma com óleo.

“As pessoas das castas mais altas da sociedade, os brâmanes, não comem nenhum tipo de carne, nem mesmo de carneiro. Algumas nem mesmo ovos ou qualquer outra coisa considerada viva. Só bebem leite de vaca, que é um animal sagrado por lá. Com isso, elas têm uma pele mais bonita, mais saudável, utilizando condimentos como o gengibre no preparo das refeições vegetarianas”.

Na Índia, os ricos são ricos mesmo. Milionários. Vivem em palácios. Já os pobres são muito carentes. “Mas mesmo as mulheres das castas mais baixas são muito enfeitadas. Até mesmo as colhedoras de chá vestem belos trajes”. Se as brâmanes procuram tecidos bordados com fios de ouro, mais chiques, as de castas inferiores recorrem a produtos mais simples, como o algodão colorido, mas não deixam de se produzir com esmero. O sari usado nas cerimônias de casamento difere totalmente do usado no dia-a-dia. O casamento indiano dura sete dias e é cercado de várias cerimônias e significados. O sari das núpcias é pesado, cheio de requinte, de brocados. A cor da cerimônia é o vermelho, que indica fertilidade. O branco, na Índia, é a cor da viuvez.

“Quando fui escolher minha roupa de casamento, queria o branco. então, meu marido me informou que o branco era a cor usada pelas viúvas e que eu deveria optar pelo vermelho”. apesar da “advertência”, cristina, mãe de duas lindas moças, casou-se de branco.

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