Política

14 aterros sanitários do Interior de SP terão de fechar neste ano ou em 2010

José Maria Tomazela
| Tempo de leitura: 2 min

Um em cada três aterros de cidades com mais de 100 mil habitantes de São Paulo está com a vida útil esgotada. Dos 42 grandes depósitos municipais, 14 terão de encerrar as operações neste ou no próximo ano, de acordo com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). Na maioria dos casos, as prefeituras já tentam aprovar ampliação ou construção de outros lixões. Muitas recorrem a áreas privadas.

Em Sorocaba, o lixão de 1985 já deveria estar desativado. A área, que recebe cerca de 500 toneladas de lixo por dia, fica entre o Retiro São João, bairro popular, e o Ibiti do Paço, condomínio de luxo. A prefeitura estuda ampliá-lo por dois anos, mas moradores reclamam. “Está muito alto, pode desabar em cima da gente”, diz o pedreiro Ademir Nunes, 51 anos, do Retiro.

A dificuldade para acomodar tanto lixo em pouco espaço atrai moscas e urubus. “O cheiro é insuportável.” A prefeitura tenta aprovar novo aterro na zona rural, mas o projeto recebeu parecer contrário do Ibama. Se não ampliar, terá de mandar lixo para um aterro particular, com nota 8,7. A maioria das áreas privadas tem avaliação positiva no Inventário de Resíduos Sólidos Domiciliares, que será divulgado no final do mês.

De acordo com o gerente da Área de Controle, Arunto Savastano Neto, novas tecnologias ampliam a vida de aterros. O custo pode ser elevado. O lixão de Campinas esgotou a capacidade e foi ampliado. “Os operadores querem alterar a quota para ganhar mais 18 meses”, diz. Estudos geotécnicos serão feitos. A Cetesb aprovou a expansão do lixão de Limeira, por mais um ano.

Em Bauru, a prefeitura quer sobrepor uma camada no aterro esgotado para ampliar em quatro anos a vida útil. A prefeitura de Marília revitalizou o lixão, mas pode operar até o final do ano. Foi aberta uma licitação. O lixão de Ourinhos, bem operado, fica próximo do aeroporto e não tem licença. Para o gerente, há casos em que as prefeituras têm dificuldade para encontrar áreas. Há também negligência. “Às vezes um prefeito deixa para outro.”

Com aterros esgotados, Piracicaba e Ribeirão Preto mandam resíduos para lixões privados. O Ministério Público acompanha os casos por envolver saúde pública. O depósito de Bragança Paulista foi lacrado pela Justiça no início do mês e a prefeitura busca nova área. O MP mandou fechar o de Araraquara. O de São Carlos terá de ser desativado e o de Araras foi interditado. Presidente Prudente se comprometeu a acelerar novo aterro.

De acordo com Savastano, há tendência de transferir para a iniciativa privada o lixo, mas isso não ocorre no oeste e no Vale do Ribeira. O Estado tem 22 lixões privados e mais 10 em licenciamento.

Comentários

Comentários