Bairros

Bauru tem água de sobra, mas problemas estruturais podem comprometer abastecimento

Maira soares
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Ver a louça acumular na pia, encher baldes de água no caminhão-pipa e tomar banho na casa de amigos tornou-se rotina na vida de muitos bauruenses no último mês. Moradores do centro, da zona sul e de bairros como Parque Jaraguá, Jardim Vânia Maria, Jardim Petrópolis e Parque Santa Edwirges viram suas torneiras secarem.

A questão não se explica pela falta de recursos hídricos da cidade, mas sim pelos constantes problemas no sistema de abastecimento. O engenheiro civil e ex-presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) Éric Fabris explica a questão. “Bauru tem muita água se comparada com a média da realidade nacional, resta melhorar a administração deste recurso”, diz. Em conseqüência de problemas na rede, a falta d’água atingiu, pelo menos, 40 mil pessoas nos últimos 30 dias.

Roberto Nastácio da Silva, morador da Alameda Athenas, no Parque Santa Edwirges, relata como está sendo seu cotidiano desde que houve o acidente com a bomba do poço do Distrito Industrial 3, que interrompeu o fornecimento de água da região. “Para nós está muito ruim. A gente tem roupa para lavar, louça, uma pequena horta no quintal e fica no sufoco. Estamos pegando água em baldes e tambores. Ainda tem um pouco de água na caixa e é o que a gente usa para tomar banho. Aqui na rua tem gente que não tem caixa d’água e aí fica difícil, as pessoas acabam indo dormir sem tomar banho ou vão nas casas dos vizinhos pedir um pouco de água. Só assim para manter a higiene”, conta.

Simone Cristina Martins Faria, que mora em um apartamento na rua Alberto Segalla, também sofreu no último final de semana. Devido a um problema mecânico na bomba da adutora localizada na avenida Comendador José da Silva Martha, o abastecimento de água na zona sul, região onde ela mora, foi interrompido por cerca de 48horas. “Percebi a falta de água na hora de fazer o almoço. A partir daí, foi péssimo. Ainda mais com esse calor. Não tenho parentes na cidade, então fui tomar banho em um hotel e almocei no shopping”, diz.

Ambos os casos ilustram bem a situação da rede de distribuição de água na cidade: problemas técnicos em bombas de poços e adutoras impedem a chegada do recurso nas casas.

Segundo Fábio Randi, diretor da Divisão de Produção do Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE), este tipo de problema ninguém pode prever. “Creio que a cidade está bem abastecida. Temos um total de distribuição de água na cidade de cerca de 3 bilhões de metros cúbicos por mês e uma capacidade de reservação de 45 milhões de litros por dia. No entanto, com esse calor atípico, o consumo é muito alto e existem alguns problemas de falta de água. Além disso, a gente está sujeito a qualquer problema em um poço. A bomba é um equipamento mecânico que pode ter problemas a qualquer hora do dia ou da noite. O que podemos fazer é solucionar os problemas o mais rápido possível”, justifica.

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