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Com açúcar e com afeto

Janira Fainer Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

O rabino Nilton Bonder escreveu um livro O crime descompensa... um ensaio místico contra a impunidade. Nele relatou a história de um homem que na estrada de Sodoma denunciava a injustiça e a impunidade que reinavam na cidade. Não conseguiu sensibilizar e nem modificar o comportamento do povo. Um amigo, ao passar pelo local, perguntou o motivo dele permanecer lá, apesar do fracasso do intento. Sua resposta foi: “Continuo a gritar, pois se não o faço, eles teriam me modificado.” Lembrei-me da lenda ao ler “Criminalidade”, texto de José Roberto Segalla. Planejava escrever sobre mulheres e tenho acompanhado pelos meios de comunicação as homenagens neste mês, quando no dia 8 de março se comemorou o Dia Internacional da Mulher. Pensei em falar, não das conquistas óbvias dos últimos 100 anos, mas do que não se conseguiu ainda. De repente, leio o referido artigo. A história é luz da verdade, depositária das ações humanas, testemunha do passado e relata muitos crimes contra mulheres. Lindomar Cardoso e Doca Street mataram “por amor”. A mãe da Maitê Proença, Daniela Perez e Sandra Gomide foram assassinadas. Por que? Ciúme, talvez... Os entendidos falam em crimes hediondos. Pensei nisso quando vi, no dia 4 de fevereiro passado, a notícia sobre a morte de dona Ida Kanô, de 81 anos. Violentada e morta. Ela não foi a primeira, havia acontecido crime semelhante na Vila Cardia. As palavras equilibradas de Segalla trouxeram a lembrança desses homicídios. Na ocasião, cada um ao seu tempo, fez minha atenção se voltar para os tribunais. As leis dizem que os autores desses crimes podem cumprir 40% da pena e regressarem ao convívio social para tornarem-se bons cidadãos! Ora bolas, um criminoso jamais será um bom cidadão, pois o que leva um sujeito a praticar esse tipo de ação é maldade pura.

O que é um crime hediondo? Do ponto de vista sociológico, eles são aqueles que estão no topo da pirâmide de desvalorização axiológica criminal. Do meu ponto de vista, é o crime praticado com extrema violência e crueldade, sem compaixão ou misericórdia pela vítima. Foi isso que aconteceu com as duas senhoras idosas bauruenses. Como a Lei de Talião está em desuso, tenho uma doce e amorosa proposta para aquele que violentou e matou Ida Kanô: Capar, isso mesmo, do mesmo jeito que meu avô Justiniano fazia com seus porcos no chiqueiro. Do mesmo jeito que o juiz Manoel Fernandes dos Santos decretou em 15 de outubro, de 1833, sua sentença contra o cabra macho sergipano, molestador da mulher do vizinho.

A autora, Janira Fainer Bastos, é articulista do JC

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