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Humanidade aprisionada

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Noção fundamental em nossos dias, a idéia de tempo é tida por muitos pensadores como uma invenção. O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, por exemplo, acreditava que o tempo é uma mera construção psíquica. Immanuel Kant, por sua vez, dizia que o tempo é um conceito a priori (ou seja, é uma idéia que as pessoas têm por intuição, sem a necessidade de experiências anteriores).

Renato Carlos Tonin Ghiotto, professor do Departamento de Física da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, explica que “do ponto de vista do nosso cotidiano, a idéia de tempo está ligada às mudanças que ocorrem na natureza. Por exemplo: todos os sistemas biológicos nascem, desenvolvem-se e morrem. Além disso, essa noção está relacionada às nossas rotinas pessoais.”

Já do ponto de vista da ciência, a história é bem outra. “Existe uma definição operacional que nos foi dada por Albert Einstein: tempo é aquilo que o relógio mede”, afirma Ghiotto. Isso quer dizer, em miúdos, que se trata de uma variável desenvolvida pelo homem para estudar o movimento. Caso a terra parasse de girar ou as estações do ano deixassem de mudar, o tempo do relógio continuaria existindo, desde que suas engrenagens se mantivessem em pleno funcionamento.

Se, em princípio, o relógio é um mero marcador de horas que nada tem a ver com a noção de cronologia que pessoas possuem, como ele pode exercer tamanha influência em nossas vidas? “A todo instante o mundo nos impõe tarefas e espera que tais atividades apresentem resultado no menor período possível”, acredita Cláudio Eduardo Badaró, professor do curso de filosofia da Universidade do Sagrado Coração (USC). “Temos prazos e metas demais para cumprir”, pondera Ghiotto.

Relatividade

Entre as descobertas feitas por Einstein está a de que os tempos medidos por dois observadores inerciais - ou seja, que se movem em velocidade uniforme, um em relação ao outro - são diferentes.

Para entender o que isso quer dizer, podemos imaginar dois aviões que decolassem exatamente no mesmo instante do Aeroporto Moussa Tobias rumo à Capital. Se os dois rumassem em velocidades iguais e conseguissem chegar ao destino no mesmo momento, o tempo de vôo medido pelo piloto de uma das aeronaves seria diferente do verificado pelo comandante da outra.

Ghiotto salienta que, por serem pequenas demais, essas diferenças de tempo dificilmente podem ser percebidas pelas pessoas. Ele lembra, porém, que elas aumentam na medida em que os corpos se aproximam da “velocidade da luz” (cerca de 300 mil quilômetros por segundo).

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