Bairros

Ritmo de crescimento da frota bauruense causa impacto ambiental

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 2 min

Bauru terminou fevereiro com 176.201 veículos. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), isso representa um acréscimo de 823 meios de transporte em relação ao mês de janeiro deste ano e 29 veículos novos nas ruas por dia. É inevitável que esse ritmo de crescimento altere as condições do sistema viário e do meio ambiente.

“O aumento do número de automóveis traz como principal conseqüência ambiental o aumento das emissões de gases de efeito estufa, o que interfere no microclima e no sistema respiratório da população. O sistema viário de Bauru está em seu limite, como pode ser observado nos horários chamados ‘de pico’. Basta passar por alguma avenida da cidade entre 17h e 19h. Isso faz com que os veículos fiquem mais tempo parados, com seus motores ligados, e as emissões de gases podem ser sentidas mais facilmente”, alega Ivy Wiens, secretária executiva do Instituto Ambiental Vidágua.

Para ela, não há somente desvantagens nos novos veículos. “A renovação da frota é algo extremamente positivo. Se saírem de circulação 800 veículos antigos para a entrada de 800 novos, preferencialmente que usem álcool ao invés de gasolina, isto representará um benefício ambiental. Devemos lembrar que a melhoria da qualidade dos veículos que circulam numa cidade não descarta o impacto do transporte individual”, explica.

Além do impacto local, o crescimento da frota representa prejuízos ambientais em larga escala. Segundo Wiens, muitos impactos ambientais são gerados no ciclo de vida do veículo, ou seja, desde sua produção até entrar em desuso.

“Na produção do veículo, as matérias-primas vêm de recursos naturais como ferro e petróleo, e quanto mais se produz, mais se extrai. Nesse processo são gerados resíduos sólidos, líquidos e gasosos. A produção do combustível também gera impactos, o que podemos constatar facilmente na região de Bauru, onde a produção de cana é extensiva. O álcool, o petróleo e outras fontes de energia utilizadas causam impactos sociais e ambientais sérios, além de afetar a saúde humana e a biodiversidade. Além disso, estudos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) demonstram que a maior parte das áreas contaminadas do Estado de São Paulo são postos de combustíveis”, constata Wiens.

O uso dos veículos também gera impacto devido a emissão de gases na atmosfera, especialmente CO2, que colabora para o efeito estufa.

Ao final de sua vida útil, em sua maioria vão para os ferros-velhos, onde, embora parte de suas peças sejam reaproveitadas, colaboram para a produção de lixo, que é a condição do veículo nesse estágio.

Para Wiens, a questão é mais profunda e problemática. “É lógico que temos uma série de normas ambientais que, quando seguidas, minimizam os impactos citados. Mas a questão é: esse modelo de transporte difundido no Brasil é sustentável? Na minha opinião, não. Enquanto isso, o transporte público recebe cada vez menos investimentos e o cidadão depende cada vez mais do transporte individual”, finaliza.

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